Do Prémio Puskas a jogador profissional de videojogos

Wendell Lira tornou-se famoso em janeiro quando ganhou o troféu da FIFA relativo ao melhor golo do ano. Mas nesta semana, aos 27 anos, decidiu encerrar a carreira, desiludido com o futebol. Segue-se agora outra paixão... mas com pontapés na bola na PlayStation

Em janeiro, no dia 11, Wendell Lira viveu um autêntico conto de fadas quando ganhou o Prémio Puskas, o troféu da FIFA entregue ao jogador que marcou o golo mais bonito do ano (recebeu o voto de 1,6 milhões de pessoas). Emocionado e meio envergonhado, o brasileiro recebeu o prémio na gala do organismo em Zurique, na Suíça, com toda a pompa e circunstância no meio da nata do futebol mundial e ao lado de craques como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar. Um sonho para um ilustre desconhecido que atuava no modesto Goianésia, dos escalões secundários do Brasil, e que de repente se viu na alta-roda do futebol.

Wendell desdobrou-se em entrevistas aos mais prestigiados jornais e revistas internacionais, o seu nome e o golo apontado de bicicleta contra o Atlético Goianense deram a volta ao mundo e o avançado pensava que aquele momento poderia significar uma viragem completa na sua carreira. Puro engano. Seis meses depois, o avançado de 27 anos anunciou nesta semana que se ia retirar. Vai continuar ligado ao futebol, mas numa área completamemte diferente: foi convidado para gerir um canal no YouTube de videojogos e vai tornar-se jogador profissional.

Poucos dias antes de receber o Prémio Puskas (na altura já sabia que era o vencedor), Wendell assinou pelo Vila Nova, da II Divisão brasileira. Mas a experiência revelou-se um fracasso - nove jogos, apenas três como titular, e nem um golo para amostra. O destino estava traçado e em junho ficou desempregado. Foi nessa altura que lhe surgiu a proposta para mudar de ramo, até porque foi muito castigado por lesões. Analisou tudo "friamente com a família" e nesta semana tomou a decisão de arrumar as chuteiras.

"Tenho 27 anos, mas já fiz sete cirurgias, três delas ao joelho. É complicado. Além disso, estou desgastado pelo futebol, pelas mentiras, pelas sujeiras. Surgiu esta oportunidade e decidi que me queria concentrar totalmente nisto. Antes de ser jogador de futebol sempre fui apaixonado pelo futebol virtual, hoje é também um sonho poder viver disso", justificou na quinta-feira, durante uma conferência de imprensa.

Os videojogos são uma das grandes paixões de Wendell, a par do póquer. Aliás, durante a Gala da FIFA realizada em janeiro, teve oportunidade de mostrar os seus dotes na PlayStation, derrotando o saudita Abdulaziz Alshehri, campeão da FIFA Interactive World Cup por 6-1. "O meu sonho agora é ser campeão do mundo da FIFA em videojogos", desejou Wendell, apesar de tudo orgulhoso da carreira que fez: "O meu maior sonho como atleta era marcar o meu nome na história do futebol e eu consegui. Sou o que sou hoje graças ao futebol. Hoje posso ter orgulho por tudo aquilo que fiz. Mas a verdade é que de há uns meses para cá eu não via mais perspetiva de futuro dentro do desporto."

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