MP investiga comissões de mais de 20M pagas pelo FC Porto a empresários

SAD portista, casa de Pinto da Costa e do filho entre os 33 mandados de busca emitidos nesta operação. Em causa estão suspeitas de crime de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento.

O Ministério Público (MP) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) realizaram esta segunda-feira buscas à SAD do FC Porto, a residências de dirigentes portistas, incluindo a do presidente Pinto da Costa, a instituições e a empresários de futebol próximos do clube, entre eles o filho do líder dos azuis e brancos. Em causa estão suspeitas de prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, relacionados com transferências de jogadores de futebol e circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios.

De acordo com o MP do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, "foram cumpridos 33 mandados de busca, principalmente no Porto e em Lisboa, abrangendo instalações de sociedades, incluindo uma SAD e uma instituição bancária, bem como diversas residências". A instituição bancária em causa é o Banco Carregosa, entidade com quem o FC Porto mantém uma relação de longos anos.

Ainda de acordo com o MP, "em causa estão factos ocorridos pelo menos desde 2017 até ao presente, com forte dimensão internacional e que envolvem operações de pagamento de comissões de mais de 20 milhões de euros". Na execução das buscas participaram 85 elementos da Inspeção Tributária da AT e da PSP, bem como magistrados do Ministério Público.

Os empresários de futebol em causa são Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente do FC Porto, Pedro Pinho, agente com ligações fortes ao FC Porto, que intermediou algumas transações de jogadores e que na semana passada foi acusado pelo MP de agressão a um repórter da TVI num jogo entre o Moreirense e o FC Porto. E ainda Bruno Macedo, agente de Braga.

Uma das transferências em causa é a do central brasileiro Éder Militão, do FC Porto para o Real Madrid, por 50 milhões de euros, em 2019. De acordo com a revista Sábado, as autoridades já há algum tempo que investigam os negócios da compra (ao São Paulo) e venda (Real Madrid) do internacional brasileiro - o FC Porto declarou mais-valias de 28,4 milhões e as despesas do negócio atingiram 21,5 milhões, com os empresários a declararem nove milhões em comissões.

A ação conduzida pelo procurador do Ministério Público Rosário Teixeira e pelo inspetor da Autoridade Tributária Paulo Silva investiga também, de acordo com a TVI, a venda de direitos de transmissão televisiva do FC Porto à antiga Portugal Telecom, agora Altice. Um negócio que terá sido intermediado pela empresa BM Consulting, de Bruno Macedo, um dos arguidos na operação Cartão Vermelho.

No início deste mês, a Sábado noticiou que o filho do presidente do FC Porto, Alexandre Pinto da Costa, terá recebido do empresário Pedro Pinho cerca de 2,5 milhões de euros na sequência do negócio da intermediação com a Altice das transmissões dos jogos de futebol dos dragões.

Documentos apreendidos

A SAD do FC Porto, entretanto, emitiu um comunicado ao final da tarde a confirmar as buscas às suas instalações, garantindo ter colaborado com a equipa de investigadores do Ministério Público (MP), em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"A Futebol Clube do Porto -- Futebol, SAD [...] vem informar o mercado que foi alvo de um mandado de busca, ao longo do dia de hoje, nas suas instalações, por suspeitas das entidades judiciais de crimes de abuso de confiança, fraude fiscal e branqueamento de capitais que tiveram a sua génese em movimentos financeiros relativos a transferências de jogadores de futebol", lê-se.

No mesmo documento, o FC Porto garantiu que "colaborou com a equipa de investigadores, cujo trabalho visou a apreensão de documentos que pudessem interessar à investigação".

Fonte ligada ao processo confirmou entretanto à Lusa que este inquérito é um processo autónomo do Cartão Vermelho, no qual no último verão o MP investigou crimes económicos relacionados com o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, que chegou a ser detido. Essas diligências incluíram também o filho, Tiago Vieira, e os empresários José Manuel dos Santos e Bruno Macedo.

nuno.fernandes@dn.pt

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