Chapecoense ganhou 13 mil novos sócios num só dia

Homenagens ao clube na sequência da queda do avião na Colômbia não param, desde petições para dar o nome à Taça Sul-Americana a pedidos para usar a camisola

No Brasil e um pouco por todo o mundo continuam as homenagens à equipa do Chapecoense, na sequência do acidente de avião na Colômbia que vitimou 71 pessoas, entre elas a grande maioria dos jogadores que iam disputar a Taça Sul-Americana com o Atlético Nacional. Uma das maiores manifestações de solidariedade foi anunciada ontem pelo presidente: no espaço de 24 horas, o clube ganhou 13 000 sócios, um número impressionante tendo em conta que o emblema de Santa Catarina só tinha 9000.

"Nem nós sabíamos da nossa grandeza. Em 2005 o nosso clube era para fechar, cheio de dívidas. E conseguimos chegar a este nível. A dimensão que a gente tem jamais alguém imaginou. De ontem para hoje 13 mil sócios quiseram associar-se, todos de fora de Chapecó", referiu Ivan Tozzo, que se mostrou sensibilizado com as manifestações de apoio, sobretudo com os clubes que pretendem ceder jogadores: "Se cada clube quiser emprestar--nos um jogador seria ótimo. Ninguém nunca vai estar preparado para organizar tudo depois de um acidente como este. Precisamos de apoio de todos os clubes e da CBF para remontar a equipa. Não temos 11 jogadores para colocar em campo."

Uma petição criada ontem no site change.org atingiu perto de cem mil assinaturas e tem como objetivo sugerir à Conmebol a mudança da designação da Taça Sul-Americana para Taça Chapecoense. O texto, que pede pelo menos 150 mil assinaturas, lembra que "algo deve ser feito em memória dos profissionais" que morreram: "A Conmebol poderia adotar o nome de Taça Chapecoense. Outra ideia é consultar as famílias das vítimas para saber que nome preferem. O mínimo que podemos fazer é reunir milhares de assinaturas para obter esta homenagem."

A mesma petição sugere que a Conmebol aceite a sugestão do Atlético Nacional para dar o título ao Chapecoense. Neste caso, porém, segundo revelou ontem o presidente do clube, a decisão deverá passar por atribuir o título às duas equipas. "A ideia do presidente da CBF é dividir o título, nomear dois campeões. Acho que é merecido", disse.

Um pouco por todo o Brasil estão a ser feitos pedidos para que seja autorizado as equipas jogarem com o emblema do Chapecoense. Os responsáveis do Atlético Nacional, a equipa que ia disputar o jogo com os brasileiros, já manifestou a intenção de neste sábado os seus futebolistas poderem atuar com a camisola do clube de Santa Catarina. No Brasil, o recém-campeão Palmeiras já fez uma petição à Confederação Brasileira de Futebol para seguir o mesmo exemplo.

Boeck agradeceu ao Sporting

Marcelo Boeck, antigo jogador do Sporting que não seguiu viagem para a Colômbia, fez questão ontem de agradecer o apoio que lhe foi dado desde Portugal. "Não podia esperar menos dos adeptos e do grande Sporting pela linda homenagem. Ontem poderia ter sido o primeiro dia que os meus filhos acordariam sem o seu pai para sempre. Como é triste saber que as famílias dos meus companheiros vão passar por isso, mulheres sem maridos, filhos sem pais!!! Valorizem mais as vossas famílias", referiu o jogador, que já antes tinha dado uma entrevista à imprensa brasileira, revelando como soube do acidente.

"Ontem foi o aniversário do meu filho e dormi até tarde. Às três da manhã o telefone começou a tocar e desliguei. Tocou de novo e de novo. Quando toca a essa hora, nunca é coisa boa. Eram os meus familiares a ligar. Mal eu dizia "alô", todos diziam "graças a Deus você atendeu". Quando liguei a televisão foi um choque muito grande", afirmou.

A direção do Chapecoense, entretanto, revelou que os três atletas que sobreviveram, além do jornalista e dois tripulantes, não correm risco de vida. "A informação que recebemos é que nenhum dos nossos atletas, e ainda os que sobreviveram, não correm risco de morte. A situação é crítica, mas não correm risco de morrer", disse Luís Sérgio, do departamento jurídico do clube.

Falta de combustível?

Uma suposta gravação de uma conversa entre Miguel Quiroga, piloto do avião, com a torre de controlo do aeroporto José María Córdova, de Medellín, foi ontem difundida por vários órgãos de comunicação colombianos e reforça a tese de que a falta de combustível esteve na origem do acidente.

"Tenho emergência de combustível. Por isso de uma vez peço curso final", terá transmitido o piloto. A torre de controlo viu-se forçada a negar o pedido, pois um avião da VivaColombia já tinha pedido uma aterragem de emergência. "Temos um avião a aterrar de emergência. Não pode proceder", respondeu a torre de controlo. Logo depois, o comandante do avião deu conta de uma "total falha elétrica" e decretou o estado de emergência. O avião acabou por se despenhar, já depois de perder o contacto com a torre de controlo.

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