Com o adeus de Carvalhal avança o 21.º treinador na era Salvador

Técnico comunicou saída e diz que cumpriu na íntegra objetivos traçados. Presidente deixou-lhe as portas abertas para o futuro.

O anúncio não foi propriamente uma surpresa porque já havia alguns sinais, mas surgiu menos de 24 horas depois do último jogo do Sp. Braga no campeonato: Carlos Carvalhal, em final de contrato, deixou o comando do clube minhoto, apesar da intenção da direção em o manter no cargo.

Nas duas temporadas no clube, além da Taça de Portugal conquistada na última época, Carvalhal, de 56 anos, obteve dois quartos lugares no campeonato, foi finalista da Taça da Liga na época passada e chegou aos quartos de final da Liga Europa na presente edição.

O presidente do Sp. Braga, António Salvador, fez questão no adeus de elogiar o trabalho feito pelo técnico deixando-lhe as "portas abertas" a um regresso no futuro. "Foram dois anos de trabalho e muita competência, de coisas muito boas. Mostrámos que temos um grande grupo de trabalho, conquistámos uma Taça de Portugal, fizemos coisas muito boas este ano na Europa, uma segunda volta em que ganhámos aos três grandes, coisa que nenhum outro clube conseguiu, inclusive entre eles", afirmou o presidente dos arsenalistas, ao lado do treinador, em pleno relvado do Estádio Municipal de Braga.

Reiterando que a intenção do clube era que Carvalhal "pudesse continuar", Salvador agradeceu "todo o trabalho" do treinador nas duas últimas épocas: "Pena nossa perder um treinador que é da casa, que ama este clube, mas a vida é assim mesmo."

Já Carlos Carvalhal disse ter cumprido "na íntegra" os objetivos traçados. "Quando assinámos o contrato, o presidente traçou objetivos altos, exigentes. Conseguimos vencer a Taça [de Portugal], fomos a mais duas finais [Taça da Liga e Supertaça], valorizámos jogadores e apostámos forte na formação, fizemos boa Liga Europa. Cumprimos na íntegra", disse.

O treinador notou que "o presidente comprometeu-se a dar as melhores condições no sentido de proporcionar um bom trabalho". "E isso foi visível naquele período de mais turbulência, em dezembro/janeiro, quando veio defender a equipa técnica e disse que ficaria até final. Tudo o que se prontificou a fazer, fê-lo na totalidade", disse.

"Ambos estamos satisfeitos por tudo ter corrido muito bem. Estes dois anos foram de crescimento para mim e para a minha equipa técnica, dada a exigência que o presidente imprime. Ter realizado isto no clube do meu coração foi absolutamente inesquecível e marca-me para o resto da vida", notou Carvalhal.

A terminar, Salvador disse ao treinador que "as portas estão sempre abertas" para "um dia que mude o ciclo e queira regressar". "Um dia, acredito que volte a esta casa", frisou, ao qual Carvalhal respondeu: "Está registado."

Chega assim ao fim mais um ciclo de um treinador na era de António Salvador (preside ao clube desde fevereiro de 2003). E o próximo será o 21.º na gerência do atual presidente (interinos incluídos). O técnico que aguentou mais tempo foi Jesualdo Ferreira (três épocas e meia), seguindo-se depois Domingos Paciência, Abel Ferreira e Carlos Carvalhal, duas épocas inteiras.

Na temporada 2019-20, antes de Carvalhal assumir o clube, os arsenalistas chegaram a ter quatro treinadores - Ricardo Sá Pinto, Rúben Amorim, Custódio e Artur Jorge.

A manter-se a tendência, o novo técnico será português, pois desde que se tornou presidente do clube deu sempre primazia aos técnicos nacionais. O único estrangeiro foi o espanhol Castro Santos, mas que já estava no cargo quando Salvador assumiu a presidência. Com Lusa

nuno.fernandes@dn.pt

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