Calor e vento forte impediram novos recordes no habitual domínio africano

Quenianos Ishhimael Chemtam (masculinos) e Sarah Chepchirchir (femininos) ganharam a prova mais longa. Etíope Birahn Nebew e Eunice Chumba, do Bahrein, impuseram-se nos 21,098 km

O calor anormal para um domingo de outono não deixou que se concretizasse um dos principais objetivos da Maratona de Lisboa e da Meia-Maratona de Portugal - bater os recordes das provas -, mas não impediu o êxito de uma organização que mais uma vez bateu recordes de participação. Respeitando a tradição, os quenianos dominaram a distância mais longa, vencendo tanto em masculinos, por Ishhimael Chemtam, como em femininos, com Sarah Chepchirchir a repetir o triunfo de 2016. Na Meia, vitórias para o etíope Birahn Nebebew (masculinos) e para Eunice Chumba, do Bahrein.

De resto, todos os pódios, em ambas as competições, foram exclusivamente ocupados por atletas nascidos no continente africano. Quanto a portugueses - que desde que estas duas provas se associaram à marca Rock"n"Roll Marathon Series, em 2013, só por uma vez subiram ao pósio (Sara Moreira, segunda na meia-maratona de 2014) -, a melhor classificação pertenceu a Doroteia Peixoto, quarta na maratona feminina. Na maratona masculina, o melhor luso foi o alentejano Bruno Paixão (em sétimo), enquanto nas meias-maratonas a honra nacional coube a Samuel Barata e Sara Moreira, ambos a terminar no sexto lugar das respetivas provas.

Na maratona masculina, o queniano Ishhimail Bushendich ainda teve de lidar com a surpreendente aproximação final de El Hassan El Abbassi, um marroquino de nascimento que agora representa o Bahrein e que tinha corrido apenas uma vez a distância, em modestas 2.22.59 horas, mas acabou por prevalecer com o tempo de 2.10.51, seis segundos menos do que o corredor do Bahrein. Marcas que ficaram bem longe dos 2.08.21 que o queniano Samuel Ndungu estabeleceu como recorde desta maratona em 2014, muito devido ao calor que se fazia sentir (23 graus à chegada, pouco depois das 10 da manhã) e também ao vento contrário.

"Apesar do forte vento e do calor, estou muito feliz por ter vencido pela primeira vez em Lisboa", disse à agência Lusa Chemtam.

Na competição feminina voltou a vencer a queniana Sarah Chepchirchir, como em 2016, desta vez com um tempo quase quatro minutos mais lento do que o recorde (2.24.13) que estabeleceu no ano passado. "O percurso da Maratona de Lisboa é muito bonito, mas hoje não consegui ter forças para bater novo recorde", sublinhou Chepchirchir, também vencedora da Maratona de Tóquio.

Na Meia masculina, o etíope Birahn Nebebew concluiu a corrida em 1.02.02 horas e na Meia feminina Eunice Chumba, do Bahrein, chegou à vitória em 1.08.48.

No fim, entre os portugueses, Bruno Paixão não escondia a emoção pelo 7.º lugar na maratona, que lhe valeu também o título de campeão nacional, disputado em simultâneo (Doroteia Peixoto é a nova campeã feminina): "Há dois meses e meio que trabalho para esta prova. Fiz um esforço enorme, mas valeu a pena. Estou muito emocionado. Nem sei o que dizer."

Após um período de ausência das competições, por uma lesão que a fez falhar os mundiais de pista, Sara Moreira regressou à estrada na Meia de Portugal. A campeã mundial da meia-maratona em 2016 teve boas sensações, apesar da dureza do percurso nos últimos quilómetros. "Aquela subida para o Marquês de Pombal era tramada. Mas é bom voltar a sentir esta paixão do público num cenário fantástico como este", salientou a atleta do Sporting.

Outro regresso notado foi o do veterano Rui Silva, medalhado de bronze nos 1500 metros dos Jogos Olímpicos de 2004. Aos 40 anos, e atualmente treinador-atleta no Benfica, regressou após longa ausência por lesões. "Já tinha saudades disto. De sentir este ambiente e de competir", sublinhou Rui Silva, que concluiu a meia-maratona em oitavo, e terceiro melhor português.

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