Bruno "Eder" Coelho no título histórico do futsal nacional

Portugal sagrou-se campeão da Europa ao vencer a Espanha por 3-2. Golos de Ricardinho e Bruno Coelho (dois) decidiram final.

Ricardinho começou a escrever a história da final do Euro 2018 de futsal logo aos 59 segundos de jogo, quando pôs Portugal a vencer frente à Espanha. Depois, já perto do final do jogo, o capitão e melhor jogador do mundo saiu lesionado e em lágrimas, vendo Portugal sagrar-se campeão da Europa do lado de fora, após uma vitória sofrida e épica no prolongamento por 3-2. A imagem de Ricardinho em lágrimas na final de Liubliana fez o país recordar a final do Euro 2016 em futebol, em Paris, quando Cristiano Ronaldo saiu lesionado e deixou o papel de herói nacional à mercê de Eder, que acabaria por marcar o golo da vitória frente à França (1-0).

Ontem, esse papel foi desempenhado por Bruno Coelho. O jogador do Benfica foi uma das boas surpresa do Europeu de futsal, na Eslovénia, e só não foi o melhor da prova porque a organização quis premiar o melhor do mundo, também português e de seu nome Ricardinho.

Portugal conquistou assim o primeiro título europeu na modalidade (venceu todos os jogos até à final), vingando a derrota do Euro 2010, quando perdeu frente à Espanha, por 4-2, na Hungria. E a Federação liderada por Fernando Gomes faz assim o pleno entre as seleções masculinas (futebol, futebol de praia e futsal). Agora Portugal já se pode gabar de ter vencido em toda a linha, incluindo nos títulos individuais: CR7 (futebol), Madjer (futebol de praia) e Ricardinho (futsal) já foram eleitos o melhor do mundo nas respetivas modalidades.

Muitos dos nomes e rostos que ontem conquistaram o primeiro título para o futsal nacional (André Sousa, Pedro Cary e Jorge Braz, entre outros) já tinham erguido o nome de Portugal na modalidade, quando em 2008, em Koper, conquistaram o Mundial Universitário. Mas nada tão grandioso e relevante como o Europeu. A comitiva nacional aterra neste domingo em Lisboa, às 13.20, com o troféu de campeão europeu na bagagem.

Epopeia de sacrifício

Ricardinho marcou logo aos 59 segundos de jogo e a Espanha ficou abalada. Só no final da primeira parte Marc Tolrà conseguiu bater André Sousa, um dos melhores na final do Europeu.

No regresso dos balneários, os espanhóis mostraram porque foram campeões da Europa por sete vezes em nove edições e o porquê de em 26 jogos com Portugal terem 20 vitórias. Foi num livre estudado que Miguelín descobriu Lín sem marcação e o espanhol só teve de encostar para a baliza. A vencerem por 2-1, os espanhóis fartaram-se de pôr o guarda-redes português à prova. André Sousa, por vezes com a ajuda do poste e da trave, foi vendo as bolas ficar do lado de fora da baliza...

Depois, como se o guião do jogo já estivesse escrito, o selecionador nacional Jorge Braz recorreu ao time out (paragem) para pôr Portugal a jogar em 5x4 e ter assim vantagem numérica para chegar ao golo. Foi o que aconteceu a 55 segundos do fim do jogo, quando Bruno Coelho fez o empate (2-2) e levou a partida para o prolongamento. Nesta altura, Sedano, o guarda-redes espanhol, defendia tudo e mais alguma coisa, fosse remate de Pedro Cary, Ricardinho...

Foi já no fim do prolongamento que o jogador do Benfica voltou a vestir a pele de herói. Foi ele a fazer o 3-2 final. Bruno Coelho estava limitado fisicamente, mas assumiu a marcação do livre direto a pouco mais de um minuto do fim do jogo e numa altura em que Ricardinho já não estava em campo.

Não deixa de ser curioso que o melhor jogador de futsal do mundo (eleito em janeiro) tenha dito numa entrevista antes da prova que estava disposto a sacrificar-se pessoalmente pelo título de campeão da Europa. "Acredito mesmo de coração que vamos ser campeões e seria bonito ter uma coincidência com o futebol. Temos o melhor do jogador do mundo e jogadores a atuar nas melhores ligas (...) Se me dissessem que isso ia acontecer [na Eslovénia], não me importava nada de lesionar-me já e Portugal ser campeão europeu", disse o jogador do Movistar em entrevista ao Record.

E se Cristiano Ronaldo aterrou em Lisboa a 11 de julho de 2016 com o "caneco", Ricardinho vai fazê-lo hoje, a 11 de fevereiro, com um caneco idêntico e igualmente histórico que vai para a Cidade do Futebol.

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