Bis e recorde de Ronaldo valem oitavos com a ajuda de Patrício

Tal como no ano de glória de 2016, Portugal passou como um dos melhores terceiros classificados ao empatar a dois golos com a França. Ronaldo igualou recorde de Ali Daei e entrada de Renato Sanches mostrou-se uma aposta acertada. Agora segue-se a Bélgica.

Portugal empatou a dois golos com a França e apurou-se para os oitavos de final do Euro2020 como um dos melhores terceiros classificados (tal como no Euro2016, que venceu), tendo agora como adversário a Bélgica, domingo (às 20.00). Num jogo com três penáltis, e que a seleção nacional até começou a vencer, Ronaldo bisou e apanhou Ali Daei como o melhor marcador de sempre de seleções (109 golos), num grupo onde a Hungria esteve quase a causar surpresa e a eliminar a Alemanha, mas acabou por empatar e a também beneficiar Portugal que precisava deste resultado em caso de derrota.

Fernando Santos anunciou alterações na equipa depois da hecatombe com a Alemanha (4-2), um jogo onde Portugal falhou em vários sectores e onde as críticas foram direcionadas sobretudo à falta de intensidade dos jogadores do meio-campo e ao lado direito da defesa. E mudou, apostando num esquema 4X3X3, parecido com o da França. O selecionador prescindiu de William (manteve Danilo), colocou Renato Sanches no onze, e fez ainda mais uma mudança, com a entrada de João Moutinho para o lugar de Bruno Fernandes.

Do lado da França, já apurada antes de começar a jogar, mas com o objetivo de chegar ao primeiro lugar, Deschamps também fez alterações relativamente ao empate (1-1) com a Hungria. Pavard, Digne e Rabiot saíram da equipa e foram rendidos por Koundé, Hernández e Tolisso. Na frente nada de novo, com o temível trio atacante composto por Griezmann, Benzema e Mbappé.

O início da primeira parte mostrou duas seleções com muitas cautelas, pois se a França já estava apurada, o empate servia os interesses de Portugal e ninguém queria arriscar cometer erros. Aos 12 minutos, ouviu-se uma enorme ovação no Puskás Arena, com a maioria dos 60 mil adeptos a celebrar o golo da Hungria frente a Alemanha, em Munique, um resultado que colocava Portugal no segundo lugar do grupo.

Foi assim pouca intensidade que o jogo prosseguiu. Ronaldo teve um cabeceamento para defesa fácil de Lloris aos 6", e aos 12" foi a vez de Mbappé testar os reflexos de Rui Patrício. Parecia existir quase um pacto de não agressão entre as duas seleções, até que tudo mudou à passagem da meia-hora, quando o árbitro considerou que o guarda-redes Lloris fez falta sobre Danilo numa saída a soco a uma bola. Penálti assinalado, penálti marcado por Ronaldo, que fez o quarto golo neste Europeu, passou Klose e tornou-se no jogador com mais golos em fases finais de grandes competições, aproximou-se do recorde de Ali Daei, e nesta altura colocava Portugal como primeiro classificado do grupo.

A partir daqui o jogo ganhou mais intensidade, com Portugal a superiorizar-se, graças a um meio-campo mais forte (a entrada de Renato trouxe muitas melhorias) e boa mobilidade e trocas de bola no ataque, mas a sofrer um duro revés em cima do intervalo, com o árbitro a considerar que Nélson Semedo cometeu falta na área sobre Mbappé (lance validado pelo VAR). Benzema não perdoou, bateu Rui Patrício e fez o empate. A primeira parte chegou ao fim com Portugal mais rematador (7-4) e com um pouco mais de posse de bola (51%-49%). No outro jogo do grupo, a Hungria continuava a vencer a Alemanha.

Ronaldo iguala recorde

A segunda parte começou com uma alteração na equipa portuguesa, com Palhinha a entrar para o lugar de Danilo, e com um enorme balde de água fria. Praticamente no primeiro lance, Benzema surgiu entre Pepe e Rúben Dias a rematar cruzado para o golo. Pediu-se fora de jogo, mas o VAR validou o golo. Nesta altura, Portugal estava eliminado.

Como não há duas sem três, aos 60 minutos um novo penálti, e outra vez a favor de Portugal, a castigar uma mão na bola de Koundé. Ronaldo, claro, empatou o jogo e igualou o recorde de Ali Daei como o jogador com mais golos ao serviço de uma seleção (109), destacando-se como melhor marcador deste Europeu. Quase logo de seguida, em Munique, a Alemanha empatava com a Hungria, mas os magiares voltaram a colocar-se na frente do marcador logo a seguir.

Aos 68" valeu a Portugal Rui Patrício, a negar por duas vezes o golo à França, primeiro num remate forte de Pogba que o guarda-redes defendeu e a bola ainda foi à trave, numa intervenção estrondosa, e depois na recarga a um tiro de Griezmann.

Aos 72", Bruno Fernandes entrou para o lugar de Bernardo Silva e logo a seguir Rúben Neves rendeu João Moutinho. Pouco depois Nélson Semedo lesionou-se e entrou Dalot (estreia na seleção A) para o lado direito da defesa. Mais ou menos na altura em que a Alemanha empatava o jogo com a Hungria.

O apito final chegou (antes ainda entrou Sérgio Oliveira para o lugar de Renato e o VAR reverteu uma decisão de penálti a favor dos franceses) e confirmou o empate a dois golos com a França e o consequente apuramento para os oitavos de final como um dos melhores terceiros classificados (com a França em primeiro e a Alemanha em segundo). Desde 1996 que Portugal marca sistematicamente presença em fases finais de Europeus de futebol e nunca ficou pelo caminho na primeira fase. Aliás, passou sempre os oitavos de final da prova. Por duas vezes caiu nos quartos de final (1996 e 2008), outras duas nas meias-finais (2000 e 2012), uma na final (2004) e em 2016, na última edição, sagrou-se vencedor, curiosamente num jogo disputado diante da França, com o famoso golo de Éder. Ou seja, sete presenças seguidas pelo menos nos oitavos de final da maior competição de seleções a nível europeu. Agora que venha a Bélgica, já no próximo domingo, numa partida que se realiza em Sevilha, Espanha, com início às 20.00. Os quartos de final são já ali...

nuno.fernandes@dn.pt

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