Rui Gomes da Silva, o rosto da oposição que se anuncia

Ex-ministro ficou fora dos órgãos sociais no último ato eleitoral e, após ter feito juras de lealdade, assume-se agora como candidato contra Vieira. Eleições antecipadas fora de questão

Rui Gomes da Silva, 59 anos, assumiu-se como oposição ao presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, depois de cerca de um ano e meio em que sempre afastou essa possibilidade.

"Nunca serei oposição à direção. Nunca serei candidato contra Luís Filipe Vieira", garantiu várias vezes o antigo ministro, quer no programa Dia Seguinte, da SIC Notícias, quer em textos publicados em jornais e blogues. Só que o esfumar das hipóteses de o Benfica conquistar o penta tudo mudou. "Se houver eleições colocarei a hipótese de avançar. Rompi definitivamente com Vieira. Sempre disse que não queria defrontar Luís Filipe Vieira a não ser em condições extremas, mas é para isso que estamos a caminhar. Estou farto disto", atirou no último programa, na segunda-feira à noite.

E que possibilidades tem Rui Gomes da Silva na eventualidade de concorrer contra o atual presidente em futuras eleições? As fontes contactadas pelo DN admitem que há uma franja de adeptos, grande parte afeta a um dos grupos organizados de adeptos (No Name Boys), que estão descontentes com a gestão de Vieira e que olham para o antigo ministro como alternativa ao homem que gere o clube desde novembro de 2003.

As mesmas fontes consideram que, a nível interno, não causou qualquer tipo de incómodo o anúncio de Rui Gomes da Silva, uma vez que não é propriamente uma personalidade que tenha apoiantes na atual estrutura diretiva do clube. É conhecida a animosidade antiga com José Eduardo Moniz, vice-presidente e administrador da SAD, desde os tempos que este era diretor da TVI e Gomes da Silva era ministro. Mas tem ainda relações tensas com Rui Costa (diretor desportivo), Domingos Soares Oliveira (CEO da SAD) e os outros vice-presidentes do clube, por várias vezes alvos de fortes críticas de Gomes da Silva. Na prática, só a ligação com Vieira o impedia de ser oposição, um laço que agora foi quebrado.

Não haverá eleições antecipadas

O advogado e antigo ministro fez parte da direção do Benfica nos anteriores mandatos de Vieira, mas ficou de fora dos atuais órgãos sociais, eleitos em outubro de 2016, porque terá exigido ser o número dois da direção e porque não quis deixar o programa da SIC Notícias, como era desejo do presidente.

Perante isso, ficou fora da lista, garantindo então que não iria fazer oposição, algo que agora reverte, tendo até acrescentado estar preparado para o caso de o líder benfiquista avançar para eleições antecipadas, cenário que, de acordo com as fontes contactadas pelo DN, está completamente colocado de parte. Aliás, o vice-presidente Varandas Fernandes veio ontem defender Luís Filipe Vieira das críticas e avisou que "a estabilidade é um bem" e que "há eleições daqui a dois anos", deixando um recado a Rui Gomes da Silva: "Dá ideia de que são ataques para aparecer na televisão à noite."

Aliás, a única vez no consulado Vieira em que se realizaram eleições antecipadas foi em 2009, algo que na altura teve o apoio incondicional de Gomes da Silva, então vice-presidente. Agora, foi o próprio ex-dirigente a sugerir que o cenário iria repetir-se "para surpreender" a eventual oposição, mas o DN sabe que Vieira pretende levar o atual mandato até ao fim, ou seja, até 2020.

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