Bombardeiro Jonas salvou a Luz do fantasma amarelo

Dois golos do brasileiro permitiram ao Benfica vencer o Estoril por 2-1. O empate fatal de 2013 chegou a pairar sob os tricampeões e os adeptos. O estado de nervos só acabou com o apito final

O Benfica terá este sábado percebido que, na realidade, o campeonato está bem longe de estar decidido, apesar dos três pontos de vantagem sobre o FC Porto, a três jornadas do fim. É que o triunfo sobre o Estoril por 2-1 foi arrancado a ferros pelos tricampeões nacionais, que tiveram momentos de grande desnorte no início da segunda parte, que quase permitiam aos canarinhos repetirem a gracinha de maio de 2013, quando arrancaram na Luz um empate a uma bola e praticamente retiraram o o título aos encarnados, então treinados por Jorge Jesus, que uma semana depois perderam no Dragão com o histórico golo de Kelvin.

Os adeptos benfiquistas que lotaram a Luz viveram num estado de nervos e ansiedade que só terminou após o apito final do árbitro Hugo Miguel. Esse estado passou do relvado para as bancadas, pois cedo se percebeu que o Benfica iria ter muitas dificuldades em levar de vencido o Estoril, uma equipa muito bem montada por Pedro Emanuel, que não perdia fora de casa há seis jogos, durante os quais marcaram 13 golos.

E a forma como o Estoril se organizou, com as suas linhas muito subidas, uma enorme pressão sob o portador da bola e com dois avançados que procuravam bloquear o início da construção de jogo dos encarnados, engasgou por completo a equipa de Rui Vitória, que vivia sobretudo do talento e inteligência de Jonas, que cedo percebeu que tinha de vir atrás buscar a bola para descobrir os espaços por onde a equipa pudesse atacar. E só assim os tricampeões nacionais conseguiam, de vez em quando, surprir o condicionamento a que Pizzi esteve sujeito face ao trabalho de Mattheus Oliveira e Diogo Amado no meio-campo.

É bem verdade que, durante a primeira parte, os estorilistas não criaram uma única situação de golo, nem tão pouco um remate enquadrado com a baliza de Ederson. Mas é justo dizer o único remate do Benfica acabou por ser o penálti transformado por Jonas, a castigar uma falta clara de Licá sobre Nélson Semedo. Até a esse momento, os encarnados foram uma equipa previsível e ansiosa com as dificuldades em ultrapassar o muro amarelo. A vantagem no marcador teve o condão de libertar a equipa benfiquista para uns quinze minutos finais de primeira parte, em que poderia ter ampliado a vantagem, mas Franco Cervi e Salvio não acertaram no alvo. Do outro lado, apenas um lance de Kléber chegou a assustar... era no fundo o mote para o que aconteceria após o intervalo.

Ederson e os postes
Em desvantagem no marcador, Pedro Emanuel mexeu na estrutura da equipa, adiantando um pouco Diogo Amado em relação a Mattheus Oliveira no centro do meio-campo, enquanto o lateral Ailton aparecia muitas vezes em zonas interiores a criar superioridade numérica. O Benfica desorientou-se por completo com a estratégia canarinha... sucediam-se os lançamentos para a velocidade de Kléber e Carlinhos, que procuravam ganhar em corrida aos centrais.

Os adeptos benfiquistas não acreditavam no que viam. Surgiam os primeiros assobios à medida que o Estoril ia criando situações de golo iminente. Ederson evitou primeiro que Kléber e Licá empatassem, depois foi Ailton à barra e Mattheus Oliveira ao poste. Quando Rui Vitória se preparava para equilibrar a equipa com a entrada de Filipe Augusto, eis que Ailton isola Kléber, que desta vez não falhou.

O Benfica estava encostado às cordas e pairava na Luz o tal fantasma de 2013. Só que sete minutos depois do empate, eis que Jonas tira da cartola um remate fulminante de fora da área que não deu hipóteses a Moreira. Com 24 minutos para jogar, o golo não acabou com a ansiedade benfiquista, que continuou a sentir dificuldades em lidar com a forma determinada do Estoril estar em campo. E, na prática, só a entrada de Raúl Jiménez e Filipe Augusto permitiram ao Benfica um pouco mais confortável no jogo, tendo desperdiçado então duas boas oportunidades de matar a partida, com o mexicano e Grimaldo a falharem o terceiro golo.

A perder, o treinador canarinho arriscou tudo para chegar ao empate, que daria matematicamente a manutuenção à equipa, lançou três homens de ataque, Matheus Índio, André Claro e Bruno Gomes, e a verdade é que no último lance do jogo, Lindelöf faz um corte que pode muito bem ter valido o título, pois o sueco cortou no ar um passe que isolava Bruno Gomes. O defesa encarnado festejou como se de um golo se tratasse.

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