Benfica quer mais informações para decidir compra das ações de Vieira

O Benfica considera insuficientes os elementos que Luís Filipe Vieira apresentou para decidir se quer exercer o direito de preferência sobre as ações do antigo presidente, divulgou esta segunda-feira ao mercado a SAD 'encarnada'.

"Constatamos que não foram comunicadas informações essenciais e necessárias sobre os termos e condições contratuais relevantes, designadamente, a identidade do potencial comprador, o(s) prazo(s) e condições de pagamento do preço, e eventuais condições adicionais que se mostrem relevantes no contexto do negócio", lê-se no comunicado enviado pela Benfica SAD à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O Benfica revelou em 7 de setembro que o antigo presidente do clube da Luz lhe dirigiu uma comunicação para exercer o direito de preferência sobre 3,28% das ações da SAD de que Luís Filipe Vieira é proprietário, na sequência de uma proposta de venda no valor de 7,80 euros por cada um dos 753.615 títulos, correspondendo a um valor global de quase 5,9 milhões de euros (5.878.197 euros).

A resposta da direção das 'águias', que é agora encabeçada por Rui Costa, ao antigo líder, dada hoje a conhecer ao mercado pela SAD, salienta ainda que "estando em preparação um ato eleitoral, agendado para o dia 9 de outubro, na sequência da demissão dos membros da direção em funções, qualquer eventual comunicação para exercício de direito de preferência deveria, em atenção aos superiores interesses do Sport Lisboa e Benfica, ser comunicada de forma a poder ser analisada pela nova direção, em tempo adequado após início das suas funções".

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos no início de julho numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do Benfica e Novo Banco, e está indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

O ex-presidente começou por suspender as suas funções no Benfica, mas, em 15 de julho, acabou por apresentar a sua demissão, sendo substituído pelo ex-futebolista Rui Costa, até então vice-presidente do clube e ex-administrador da SAD.

No mesmo mês de julho, e relativamente à "possível aquisição de uma participação qualificada de 25% no capital social da Benfica SAD", pelo norte-americano John Textor, até 15 de setembro, a SAD 'encarnada' informou que José António dos Santos e as suas empresas detém um total de 23,1061% das ações, salvaguardando o direito de preferência sobre as ações de Vieira.

"Adicionalmente, esclarece-se que, através de uma carta com data de 11 de setembro de 2020, o Sr. Luís Filipe Vieira, titular ações representativas de 3,28% do capital social da Benfica SAD cujos inerentes direitos de voto são imputáveis ao Sport Lisboa e Benfica, concedeu ao Sport Lisboa e Benfica um direito de preferência na aquisição daquelas ações caso decida transmiti-las a terceiro", referiu, então, a SAD.

A maioria do capital da SAD do Benfica (63,65%) está na posse do clube (40%) e da Benfica SGPS (23,65%).

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