Árbitros querem boicote à próxima jornada com a maior adesão possível

Nuno Almeida, Hugo Miguel, Artur Soares Dias e Jorge Sousa lideram um movimento contra o clima irrespirável

As constantes acusações e insinuações relativamente ao caráter dos árbitros e eventuais ligações a clubes fez esgotar a paciência dos árbitros de primeira categoria, onde se encontram os internacionais. Por isso, alguns apresentarão pedidos de dispensa aos jogos da próxima jornada dos campeonatos profissionais, outros utilizarão outro tipo de expediente visto que os pedidos de dispensa deviam ter sido enviados ao Conselho de Arbitragem com 20 dias de antecedência, porém, nos regulamentos esta situação pode ser contornada caso apresentem um motivo de força maior. De uma forma ou de outra é esperada uma forte adesão a este boicote por parte dos 66 árbitros de 1.ª categoria (22 juizes principais e 44 assistentes).

Depois de Luciano Gonçalves, presidente da APAF, ter anunciado - ontem, ao início da tarde, ao site Maisfutebol -, a possibilidade de "greve", formou-se um manto de silêncio. Quer da própria APAF, que tinha prometido uma declaração que não chegou até à hora de fecho desta edição, quer do Conselho de Arbitragem da FPF, que o DN tentou contactar, sem sucesso.

Ao que o DN apurou existe uma comissão formada pelos árbitros Nuno Almeida (Algarve), Hugo Miguel (Lisboa), Artur Soares Dias e Jorge Sousa (Porto), com a curiosidade de estes dois últimos estarem envolvidos na jornada da Liga dos Campeões que hoje termina, juntamente com mais quatro árbitros principais e seis assistentes .

Este quarteto deseja colocar os árbitros a remar todos para o mesmo lado, contra o ambiente de suspeição cuja gota de água foi o programa de segunda-feira, no canal de televisão do Benfica, que levantou mais suspeição sobre os árbitros. Este programa, por si só, não é o motivo para este movimento, mas veio juntar-se à avalanche dos últimos tempos, em especial desde o início do caso dos e-mails.

Segundo o DN apurou, já está garantida a adesão de muitos dos árbitros da primeira categoria, contudo, há detalhes que a APAF está a analisar com os seus advogados, em especial a situação da justificação das ausências.

O regulamento disciplinar é claro, no seu artigo 193.º. "Os árbitros, árbitros assistentes, observadores de árbitros e delegados da Liga que faltem injustificadamente a um jogo ou, podendo-o fazer, não informem atempadamente o órgão responsável pela sua nomeação ou o departamento responsável pela organização das competições são punidos com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois e o máximo de cinco jogos".

Resta saber se estas medidas serão efetivadas e participadas ao Conselho de Disciplina visto que José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem, tem estado muito perto da classe, isto apesar de ter sido algo surpreendido com a decisão revelada ontem. Uma coisa é certa, ainda pode tudo se resolver mas muitosdos árbitros entendem que é este o momento para o boicote, sob pena de a ameaça cair em saco roto no futuro.

Um jogador a apitar?

Mesmo que os árbitros nomeados faltem, os jogos vão mesmo realizar-se e as equipas que se recusem a jogar são punidas comfalta de comparência. O que vai acontecer, basicamente, é que será procurado um árbitro na bancada para apitar os jogos do fim-de-semana, na eventualidade de faltarem equipas de arbitragem inteiras. Caso falte o árbitro principal mas se apresentem outros elementos será o mais categorizado a apitar. Se esta situação falhar, aí sim, procura-se um árbitro na bancada e no limite pode até ser o capitão de uma das equipas a arbitrar.

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