Apostar na formação para depois do adeus

Sindicato de Jogadores lança Programa de Educação para ajudar futebolistas no pós-carreira a terem saídas profissionais

Fábio Faria, 26 anos, viu-se forçado aos 23 a abandonar prematuramente o futebol devido a problemas cardíacos. Estava no Rio Ave, cedido pelo Benfica, e tinha toda uma carreira pela frente. "Não sabia o que fazer à minha vida. De um momento para o outro tive de terminar a carreira devido à minha doença, e recorri ao sindicato porque me sentia perdido. Foram eles que me aconselharam a prosseguir os estudos. E cá estou, no terceiro ano de Gestão Desportiva e a fazer um estágio no Rio Ave. Quero continuar ligado ao futebol", contou ao DN.

A carreira de um jogador de futebol é curta e na maioria dos casos não ultrapassa os 30/35 anos. Depois do adeus, nem todos têm garantia de emprego na sua área e muitos lidam com situações financeiras complicadas. O que fazer profissionalmente para sobreviver? A grande maioria privilegiou o futebol e desviou-se de outras vias de preparação académica e profissional. E nem todos conseguiram construir uma carreira que lhes permita viver dos rendimentos.

É com esta preocupação que o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) criou este mês o Programa de Educação e Formação, no sentido de oferecer aos jogadores de futebol oportunidades de formação que permitam a sua qualificação e preparação para o mercado de trabalho no desporto ou em outras áreas.

O contributo do organismo presidido por Joaquim Evangelista a este nível não é de agora. Mas o programa apresentado neste mês, com o apoio da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e em convergência com outras instituições desportivas e educativas, vem melhorar a intervenção e a missão de promover a formação e requalificação de todos os jogadores de futebol.

Só no ano passado, o sindicato recebeu mais de 70 pedidos de auxílio, em casos relacionados com incumprimento salarial de acordos, jogadores abandonados em Portugal e em clubes estrangeiros, assim como de ex-futebolistas em dificuldades financeiras.

Sonho não é igual para todos

O SJPF estima que no pós-carreira cerca de sete em cada dez jogadores sintam na pele dificuldades económicas decorrentes do escasso sucesso na sua reintegração profissional, daí a importância da criação de um gabinete específico para alterar este estado de coisas, o Gabinete de Educação e Formação, que integra um conjunto de pessoas com competências próprias, a tempo inteiro e em regime de colaboração.

A principal função é construir e executar o Programa de Educação e Formação do SJPF, bem como outro tipo de atividades. Entre as várias iniciativas em curso estão protocolos com a Universidade Aberta, a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o Instituto Superior da Maia, a Universidade Lusófona, o Instituto Superior de Ciências Educativas e a Universidade Europeia.

"A maioria das pessoas têm uma ideia errada dos jogadores de futebol. Não são muitos os que conseguem rendimentos para uma vida inteira. Alguns têm dinheiro para cinco ou dez anos... e depois? É fundamental ter uma qualificação para estar preparado para o mercado de trabalho e esta iniciativa do sindicato é de louvar", defendeu Fábio Faria, que além do curso que está a tirar patrocinado pelo sindicato montou um negócio - em conjunto com a namorada criou a sua própria marca de roupa, a D"ja vu, com peças à venda online e artigos em lojas.

Fábio Faria aconselha os seus colegas a tentarem conciliar o futebol e os estudos sempre que isso for possível: "Entendo que nos clubes grandes e nas equipas que estão inseridas em provas europeias seja muito complicado. É um grande volume de jogos e há estágios. Mas em equipas do meio da tabela a maioria das vezes têm as tardes livres. Há mais tempo. Seria bom conciliarem. Falo por mim. Estive oito anos sem estudar e foi muito complicado voltar. Faltavam-me bases e rotinas."

Leia mais na edição impressa e no e-paper do DN

Mais Notícias

Outras Notícias GMG