Fernando Mendes: "Quem não se dopasse ficava para trás" (COM VÍDEO)

Fernando Mendes, único que jogou pelos cinco clubes campeões, lançou livro em que denuncia uso generalizado de substâncias dopantes. "Nos grandes, não, que eu saiba", revela.

Em 2002, Fernando Mendes deixou a carreira de futebolista profissional no Belenenses - é o único a gabar-se de ter jogado nos cinco campeões nacionais. Agora, aos 42 anos, prepara-se para abraçar a carreira de treinador - no Olímpico do Montijo. Antes, disparou revelações sobre uso corrente de doping, que assumiu, violência para manipular árbitros, a que assistiu, e o recorrer a prostitutas por jogadores em estágio, que diz não ter feito.

"O futebol é um mundo cão, em que uns se cobiçam aos outros", avisa. "Quis mostrar o lado sujo de um jogo em que acredito", complementa. E faz um pré- -aviso: "Fui das pessoas que mais porcarias fizeram no futebol." Mas deixa claro que o uso de doping se restringia "a clubes mais modestos". "As pessoas acham que me refiro ao FC Porto, mas nos três grandes, que eu saiba, não se recorria a esta prática. Nos mais modestos, quando os objectivos começavam a fugir, é que sim", explica.

"Este livro", diz sobre o volume de 175 páginas ontem posta à venda por 13 euros (a editora não revela a tiragem), "foi feito para que quem se sinta 'picado' venha falar", assume, depois de responder a uma pequena provocação - "espera ter sucesso como treinador depois de tocar em assuntos tão melindrosos"? "Quero ser treinador e acredito que posso ser. Bom, é possível que possa ser complicado", ri-se, em conversa com o DN.

No livro - como se pode provar pelas frases citadas na coluna ao lado -, Fernando Mendes não refere nomes, explicando que numa primeira versão cha-mava os nomes aos bois. "Esta ideia tinha seis ou sete anos, não surgiu agora e muito menos para ajustar contas com uma ou outra pessoa", explica o ex-futebolista. "Foi supervisionado pelo meu advogado e, para evitar acções judiciais, foi decidido também com a editora retirar nomes", diz Fernando Mendes.

"O objectivo deste livro é mostrar que o futebol é lindo, porque é das poucas profissões em que se pode fazer aquilo de que se gos- ta, mas que tem momentos maus e sujos que ninguém vê", conti-nua.

Sobre as práticas, diz que não seriam todos os clubes, mas alguns pelos quais passou, sim. "Quem aliciava eram os massagistas, mas atenção, 90% dos massagistas que conheci eram sérios, nem falavam disso. Agora, não mem acredito que a responsabilidade seja só deles", aponta, quando confrontado se eram apenas aqueles a tratar do "jogo sujo".

"Por minha livre e espontânea vontade, usei doping umas cinco vezes. De algumas vezes, arrependo-me, mas quem não se dopasse ficava para trás, porque o futebol é um mundo cão e a competição é muito grande", reflecte, dizendo que o doping teve influência na vida particular: "Estragou-me a vida particular", conclui.


Fernando Mendes falou sobre o seu livro também a outros órgãos de comunicação social. Um deles foi a TVI. Veja o vídeo:

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