Mendes dopado com a 'droga maravilha' do exército nazi

Produtos que o ex-jogador diz ter tomado como doping em alguns clubes são estimulantes que disfarçam o cansaço e aumentam concentração, competitividade e agressividade.

"É duro estar aqui e espero que entendam se eu só conseguir escrever-vos daqui a dois ou quatro dias. Hoje estou a escrever principalmente para vos pedir Pervitin…; Com amor, Hein". Este é o extracto de uma carta que o jovem soldado Heinrich Boell, colocado na Polónia ao serviço do exército nazi, escreveu aos pais e foi citada já em 2005 pela revista Spiegel. Pervitin é um dos dopantes referidos por Fernando Mendes no livro "Jogo Sujo".

Boell, que entretanto se tornou escritor e ganhou o Nobel da Literatura em 1972, foi um dos milhares de soldados que tomaram estimulantes, ainda que muitos se tenham viciado em álcool e morfina. O Pervitin, doping de eleição no exército nazi, o Wehrmacht's, foi colocado no mercado em 1938, por uma farmacêutica de Berlim, e foi preciso apenas um ano para que um médico militar concluísse que os efeitos desta substância poderiam ajudar a Alemanha a ganhar a II Guerra Mundial e que o Pervitin chegasse à frente de combate.

Décadas depois, esta metanfetamina continua a ser usada para fins nebulosos, ainda que tenha sido retirada do mercado devido aos seus efeitos secundários devastadores (foi a droga social de eleição na Europa de Leste antes da queda do Muro de Berlim e ainda é vendida ilegalmente na Internet). E foi um dos produtos do cardápio que Fernando Mendes usou. O ex-jogador conta que também tomou Centramina e cafeína, que, tal como o Pervitin, são substâncias estimulantes, que actuam no Sistema Nervoso Central, disfarçando o cansaço e aumentando a concentração, competitividade e agressividade.

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