André Villas-Boas demite-se de treinador do Marselha

O técnico português deixa o clube francês por discordar da política desportiva do clube. "Não quero nada do Marselha, nem dinheiro. Só quero ir-me embora", disse.

O português André Villas-Boas anunciou esta terça-feira ter apresentado a demissão do cargo de treinador do Marselha, por discordar da política desportiva da direção do clube da liga francesa.

"Não quero nada do Marselha, nem dinheiro. Só quero ir-me embora", afirmou o técnico português, em conferência de imprensa, garantindo que aguarda uma resposta da direção, com a qual admitiu ter tido um desentendimento na janela de transferências, cujo período terminou esta segunda-feira.

Villas-Boas, que chegou ao clube francês no início da temporada 2019/20 disse ser contra a chegada do médio francês Olivier Ntacham, emprestado pelos escoceses do Celtic, e admitiu ter sabido "em cima da hora" da saída do extremo Nemanja Radonjic para o Hertha Berlim.

"O meu profissionalismo foi tocado e isso não posso aceitar", afirmou o treinador, que na sexta-feira admitiu a possibilidade de deixar o clube no final da época, garantindo, no entanto, que está disposto a continuar até que a direção aceite o seu pedido.

O técnico afirmou respeitar o contrato ao qual está vinculado e disse estar "totalmente focado" no encontro com o Lens, da 23.ª jornada da liga francesa, agendado para quarta-feira.

Clube suspende e instaura processo disciplinar ao treinador

Entretanto, o Marselha suspendeu André Villas-Boas e instaurou um processo disciplinar ao treinador português, por "ações e atitudes" que prejudicaram o clube, anunciou o emblema da liga francesa.

"Esta decisão tornou-se inevitável, devido à recente repetição de ações e atitudes que prejudicam gravemente a instituição e os seus funcionários, que a defendem diariamente. Os comentários feitos hoje, em particular sobre Pablo Longoria, diretor do futebol, são inaceitáveis. Eventuais sanções serão aplicadas na sequência de um procedimento disciplinar", lê-se num comunicado do Marselha.

O Marselha vive uma situação desportiva complicada, com três derrotas consecutivas na liga francesa, ocupando a nona posição da tabela, a 16 pontos do líder Lille, embora com dois jogos a menos.

No sábado, dezenas de adeptos, 25 dos quais acabaram detidos, invadiram o centro de treinos do clube, para protestar contra a direção do clube, designadamente o presidente Jacques-Henri Eyraud.

O jornal La Provence, que publicou um vídeo com uma árvore a arder à porta do complexo, descreve uma cena com vários artefactos pirotécnicos acionados ou arremessados, com o L'Équipe a explicar que a invasão foi premeditada.

A invasão da Commanderie, nome dado ao centro de treinos dos marselheses, levou a que a Liga francesa de futebol adiasse a receção ao Rennes, agendada para esse dia.

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