André Silva de volta. Será que reedita dupla infernal com Ronaldo?

Avançado está em grande forma, com 22 golos esta época pelo Eintracht Frankfurt. Teve uma entrada fulgurante de quinas ao peito, ao lado de CR7, mas perdeu espaço depois do Mundial 2018 com a ascensão de João Félix e Jota. Agora tem nova oportunidade.

André Silva está de regresso à seleção. Será que a dupla infernal com Ronaldo vai ser retomada no triplo compromisso da seleção nacional rumo ao Mundial2022 (amanhã com o Azerbaijão em Turim, com a Sérvia, em Belgrado, no sábado, e Luxemburgo três dias depois)? Desde a estreia de André no verão de 2016, nos jogos em que alinharam ambos a titulares no ataque de Portugal, o jogador do E. Frankfurt apontou nove golos e o capitão 19.

Juntos valeram assim 28 golos. Ambos marcaram em cinco encontros e ficaram ambos em branco em três. Uma delas foi a última vez que jogaram juntos de quinas ao peito - num jogo de qualificação para a fase final da Liga das Nações, no dia 7 de outubro de 2020, frente a Espanha, no Estádio José Alvalade (0-0).

Desde então o dono da camisola 9 não era chamado. Falhou a fase final da Liga das Nações 2021 em novembro e não escondeu em entrevista ao jornal OJogo que ficou desapontado, ao mesmo tempo que revelava querer voltar a fazer dupla com CR7. Os 22 golos pelo E. Frankfurt nesta época valeram-lhe a confiança do selecionador. Juntos (André e CR7) chegam à seleção com 52 golos esta época.

Indo ao início de tudo. A estreia de André Silva na seleção foi fulgurante. Na final da Taça de Portugal de 2016 bisou pelo FC Porto e impressionou Fernando Santos, mas o selecionador já tinha feito a convocatória para o Europeu - revelada horas depois - e incluído Eder, que viria a ser o autor do golo que valeu o título a Portugal.

Logo após o Euro2016, o então avançado do FC Porto, com 20 anos, entrou nas opções e começou a faturar. Sem Ronaldo (falhou o jogo particular com Gibraltar e o início do apuramento para o Mundial 2018, com a Suíça), o jovem avançado de Baguim do Monte não fez esquecer a ausência do capitão e só quando teve a companhia de CR7 começou a marcar. Ronaldo apontou quatro e André um na vitória sobre Andorra (6-0).

Com sete golos nas oito primeiras internacionalizações, fez manchetes com golos e o bom entendimento com Ronaldo. Foi ainda o terceiro mais rápido da história da seleção a chegar aos 14 golos, tendo precisado apenas de 29 internacionalizações, tal como Nuno Gomes. Apenas Eusébio (18 jogos) e Peyroteo (20) foram mais rápidos a chegar aos 14 golos. Cristiano Ronaldo, hoje melhor marcador de sempre de Portugal com 102 e a sete do recorde de Ali Daei ,precisou de mais de 40 jogos.

Durante o apuramento para o Mundial2018, os dois estiveram infernais e foram responsáveis por 24 dos 32 golos da seleção (nove de André Silva contra 15 de CR7). Uma simbiose quase perfeita onde João Félix se intrometeu depois da Rússia. Agora, nesta convocatória, há ainda Jota e Pedro Neto.

Sendo ponto assente que se procura o melhor parceiro para jogar com Ronaldo, na opinião de Hugo Almeida, André Silva parece partir em desvantagem face a Félix, Jota e até Pedro Neto, a não ser que Fernando Santos mude o esquema (do 4x3x3 para 4x4x2). "André Silva é um avançado mais de área e tem essa mais valia de conhecer as movimentações na área. Sabendo que é sempre para jogar com Ronaldo, quem jogar tem de fazer um trabalho de arrastar os defesas e partir o bloco defensivo. E aí João Félix, Jota e mesmo Pedro Neto fazem melhor. Para o André jogar, Portugal tem de alinhar com dois avançados, embora um mais livre e o outro mais fixo na área", defendeu Hugo Almeida ao DN, lembrando que esta forma de jogar já resultou em muitos golos.

"Com André Silva, Ronaldo pode ser segundo avançado, mais livre no terreno, com Félix ou Jota, terá de ser o homem de referência na frente, mais amarrado à posição e menos defensivo", completa o antigo avançado da seleção.

Com 16 golos em 37 jogos na seleção - entre os jogadores no ativo, só Nani (há muito afastado da seleção) e Cristiano Ronaldo somam mais -, o jovem de Baguim do Monte (Porto) está a três do recorde de Hugo Almeida (19): "Nunca fui muito de recordes e listas. O importante é que faça o caminho dele, que marque muitos golos e se me passar, que acredito que o faça em breve, não me afetará nada. Fico feliz por ele, não só pelos feitos na seleção, mas também por aquilo que está a fazer na Bundesliga, onde eu joguei muitos anos e sei como é difícil conseguir o que ele está a fazer."

Além dos convocados André Silva, João Félix, Diogo Jota e Pedro Neto, há ainda outras opções, como Éder e Gonçalo Guedes, que perderam fôlego, e Paulinho e Gonçalo Paciência, que estiveram lesionados. Nomes que levam Hugo Almeida a dizer que "Portugal está bem servido de avançados": "Sempre fui contra a teoria que não havia bons avançados e acho que estamos muito bem servidos de avançados e principalmente bem servidos de jogadores no geral."

Portugal começa amanhã a qualificação para o Mundial2022. Sem pressão, o objetivo é o título mundial. Será? "Sonhar podemos. Primeiro temos de lá chegar e depois... Se sonhámos tanto tempo com o Europeu e conseguimos, porque não podemos sonhar com o Mundial? Temos jogadores de alto nível, nas melhores equipas do mundo, que nos permitem altos voos. A seleção habituou-nos a títulos e podemos sonhar com alguma dose de realidade", disse o antigo avançado.

Rui Patrício falha um jogo de qualificação pela primeira vez em dez anos

Portugal procura a oitava presença numa fase final de um Mundial de futebol, a sexta seguida, tendo como adversários no Grupo A a Sérvia, Rep. Irlanda, Azerbaijão e Luxemburgo e ainda o Qatar .

Depois das presenças nos Mundiais de 1966, 1986, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, Portugal vai começar a trilhar caminho para o Qatar já amanhã frente ao Azerbaijão, a primeira de três partidas da equipa nacional em sete dias.

Rui Patrício é a principal ausência. O guarda-redes vai falhar um jogo da seleção quase uma década depois, e pela primeira vez desde que assumiu a titularidade. Em jogos de apuramento para Mundiais e Europeus, foi dono e senhor da baliza e nunca falhou a equipa inicial desde que, em 2 de setembro de 2011, Paulo Bento o escolheu para defrontar ao Chipre (4-0), no apuramento para o Euro2012.

Um choque violento com um companheiro de equipa, no jogo do Wolverhampton com o Liverpool, no última segunda-feira, obrigou-o a sair de maca e a receber oxigénio, depois de ter perdido os sentidos. Ainda foi chamado por Santos, mas depois de observado, os médicos da seleção e dos Wolves concordaram que era melhor deixar Patrício de fora. Para o seu lugar foi chamado José Sá (Olympiacos).

Rui Patrício nunca tinha falhado qualquer embate de apuramento para Europeus e Mundiais e, no que respeita a jogos oficiais, só não foi titular em cinco dos últimos 79, sendo já o guarda-redes mais internacional por Portugal (92 jogos), além de ser o mais utilizado na era Santos (60).

Patrício ia numa série de 46 jogos consecutivos, que será interrompida amanhã, na receção ao Azerbaijão, deslocalizada de Alvalade para Turim devido à pandemia da covid-19, no que será o arranque de Portugal no Grupo A europeu de apuramento para o Mundial2022.

Anthony Lopes (Lyon) parte na pole para a titularidade, mas conta com a concorrência de Rui Silva (Granada) e José Sá (Olympiacos). Depois da receção ao Azerbaijão (amanhã), seguem-se as deslocações à Sérvia (sábado) e ao Luxemburgo (teça-feira). Os três jogos começam às 19.45 e são transmitidos na RTP1.

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