"Achar que Portugal é favorito com a Alemanha, na Alemanha, é passar do limite"

Seleção nacional joga sábado com a "fantástica" mannschaft (17.00, TVI e Sport TV). Ter a bola e evitar ser empurrado para a defesa é a receita para vencer, segundo Fernando Santos. Portugal só ganhou um jogo em solo alemão. Nuno Mendes é baixa.

Com Dito (1-0, 1983), Carlos Manuel (1-0, 1985) e Sérgio Conceição (3-0, 2000) como exemplos de como se pode abater a "fantástica" mannschaft, Portugal enfrenta no sábado (17.00, TVI e Sport TV) a sempre ameaçadora seleção alemã, que conta com um saldo mais positivo: 10 vitórias e cinco empates em 18 jogos. E, por isso, o selecionador nacional, Fernando Santos, mete travão no rótulo de favorito: "Achar que Portugal é favorito com a Alemanha, na Alemanha, é passar do limite."

Olhando para as contas do grupo (Portugal e França com três pontos, Alemanha e Hungria com zero) o empate frente à Alemanha não é mau resultado, mas Fernando Santos quer mais: "O nosso objetivo não é empatar, é procurar vencer." E avisou para o perigo de se passar do 8 para o 80 na análise. Ou seja, ver Portugal como favorito contra a Alemanha, só porque os alemães perderam com a França (1-0) e Portugal ganhou à Hungria (3-0).

"Eu acho é que Portugal, a partir de certo momento, passou a ser mais respeitado. Outras seleções tinham consideração por Portugal, mas no fundo acreditavam que eram mais fortes. Agora não há nenhuma equipa no Mundo que vá defrontar Portugal e que vença facilmente. Mas passar para o lado oposto e achar que Portugal é favorito contra a Alemanha, na Alemanha, é passar do limite", atirou o selecionador, apelidando a adversária de "equipa fantástica, tipo rolo compressor".

O passado não entra em campo e Portugal terá pela frente uma seleção ferida pela França, mas com três títulos europeus (1972, 1980 e 1996) e quatro mundiais (1954, 1974, 1990 e 2014). Nada que assuste o engenheiro. "Sem medo da Alemanha", o selecionador português acredita que para ganhar a seleção tem de ser muito forte em todos os momentos, ser capaz de defender muito bem, criar oportunidades e evitar ser "empurrada" como a França foi: "É um jogo muito importante para nós. Queremos ter bola e não perdê-la muitas vezes. Uma arma fundamental é ter bola e obrigá-los a ficar longe da baliza."

Alguma mudança no onze? Renato em vez de Jota?

Vai manter o onze ou este jogo merece uma abordagem diferente e Renato Sanches pode ser titular? "Não se pode comparar a Hungria com a Alemanha. Jogam de forma diferente. A qualidade individual não tem nada a ver com nada. Não sei qual é a comparação possível. Vamos colocar todas as qualidades em campo", respondeu Santos, sem dar pista alguma sobre o onze.

Depois da derrota com a França na estreia (1-0, com um autogolo de Hummels), Joachim Löw está a ser pressionado pela opinião pública para mudar a linha defensiva. "Podem jogar no 4x3x3 ou no 3x4x3. Temos de estar preparados para o que o adversário nos apresentar", avisou Santos, antes do alemão dizer que quer "um sistema fluído, flexível, mas sólido".

Para Löw, Portugal que não é só Ronaldo: "Não é one man show, tem quatro ou cinco jogadores de ataque de classe mundial. Se calhar, de forma geral, em termos atacantes, estão mais equilibrados do que França."

Do lado português, "Nuno Mendes não está em condições de participar no jogo" devido a lesão. Quanto à motivação do capitão Cristiano Ronaldo, depois dos dois golos marcados na estreia frente à Hungria, Fernando Santos chamou mais uma vez o coletivo à discussão. "Não pode só motivar o Cristiano Ronaldo, tem de motivar a equipa toda. Ter Ronaldo é muito bom e é um orgulho, mas sozinho não ganha jogos. Tem de motivar os que jogam de início e os que entram depois. Motivação e vontade de ganhar e que vem da alma é muito importante, mas é preciso saber como ganhar. Se jogarmos só com o coração não vamos lá", avisou o engenheiro, recusando responder a questões mais individuais sobre Raphael Guerreiro e Rúben Dias.

Ontem não foi um dia bom para o selecionador distribuir jogo, passar a bola ou usar de diplomacia. A cada resposta havia um corte... um aviso ou alerta a fazer. Até houve um momento caricato (e que quase passou despercebido), em que avisou Rúben Dias para a "casca de banana" que um jornalista alemão colocou no caminho dele com uma pergunta sobre o ativista do Greenpeace que invadiu o Alemanha-França."Não digas isso", disse para o central, que respondeu: "Desconhecia completamente. Não tenho nada a dizer sobre o assunto nem estou preocupado com as condições de segurança."

Se Neuer é amigo, a Alemanha é maldita para Ronaldo

Não é fácil encontrar uma equipa ou seleção a quem Cristiano Ronaldo não tenha marcado pelo menos um golo, como é o caso da Alemanha. O português nunca marcou à mannschaft, mas já bateu Manuel Neuer por nove vezes (!), quando jogava no Real Madrid.

Pela seleção, o capitão jogou contra os germânicos em quatro ocasiões, sempre em fases finais de grandes torneios internacionais, e acabou sempre em branco. E pior... perdeu sempre! No Mundial 2006 (1-3), no Euro 2008 (2-3), no Euro 2012 (0-1) e no Mundial 2014 (0-4).

Ronaldo terá assim mais uma oportunidade de fazer aquilo que ainda não foi feito: marcar e vencer. O que significará bater Neuer pela décima vez, a primeira na baliza alemã. De 2012 a 2019, o português marcou nove golos ao guarda-redes do Bayern Munique com a camisola do Real Madrid.

Se marcar hoje, o jogador da Juventus iguala o seu melhor registo em europeus (três golos, em 2012 e 2016).Com os dois marcados à Hungria (3-0) tornou-se o jogador com mais golos na prova (11) e o único a marcar em cinco europeus.

Ronaldo (36 anos) marca golos com a camisola da quinas há quase 17 anos. O primeiro foi no Euro 2004, no Estádio do Dragão, frente à Grécia (derrota, 2-1), então com 19 anos, naquele que foi o seu primeiro Campeonato da Europa. Hoje totaliza 106 pela seleção e quer continuar a encurtar distâncias para o recorde do iraniano Ali Daei (109). Um exemplo de longevidade sem limites.

isaura.almeida@dn.pt

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