Abel Ferreira: "Já fizemos história, mas queremos a eternidade"

O Palmeiras de Abel Ferreira defronta este sábado o Chelsea. No lançamento do jogo, o português fez um reparo a Guardiola.

Abel Ferreira pode entrar neste sábado para a história como o primeiro treinador português a vencer o Mundial de Clubes. Mas a missão não será fácil, pois na final, em Abu Dhabi (16.30, Canal 11), o Palmeiras (bicampeão da Libertadores) terá como adversário o Chelsea (ganhou a Liga dos Campeões), o milionário clube inglês que é terceiro classificado na Liga inglesa e que tem um orçamento a anos-luz do emblema de São Paulo.

"Não tomem todas, precisamos de vocês fresquinhos para ajudar o Palmeiras. Que desfrutem do jogo, do momento. Aconteça o que acontecer, vamos ficar na história, mas queremos entrar para a eternidade", disse esta sexta-feira Abel, que abordou depois a diferença de orçamentos entre as duas equipas.

"Se falamos em questões financeiras, estamos fora. O Chelsea gastou 650 milhões de euros para montar este plantel; o Palmeiras 32. Mas os valores que vão fazer a diferença no jogo são a competitividade, a amizade, a coragem, a ajuda, audazes para defender sem bola e com ela colocar o adversário em dificuldades. Nisso podemos comparar-nos. O favoritismo deixo para vocês fazerem as capas dos jornais, é bom que se escreva, porque o futebol não é só dentro das quatro linhas, engloba muita gente", atirou o português.

Ainda estabelecendo um ponto de comparação entre as duas equipas, o treinador português recordou o seu trajeto. "A minha carreira foi feita com muito trabalho, não sou filho de nenhum príncipe, não tive ajuda de empresários e nem comecei num clube de elite. Comecei da base. Este mês faço dez anos como treinador, cinco na formação. Comecei no Sporting, de elite, sim, e há cinco anos sou técnico de equipas da I Liga. Sempre gostei. É o esforço coletivo, de não depender só da qualidade individual dos jogadores. Sempre gostei de treinar equipas mais humildes, porque cresci assim, com menos fazer mais, é o que procuro fazer na vida e o que passo aos jogadores. Quando queremos muito uma coisa, é possível. Mas um dia um dia vou treinar equipas de milhões", disse.

Abel comentou ainda o lapso de Pep Guardiola, que ao comentar a final da Mundial de Clubes, considerou o Chelsea uma das melhores equipas do mundo e apontou o River Plate da Argentina como vencedor da Taça Libertadores, esquecendo que foi o Palmeiras que conquistou as últimas duas edições do troféu com o português no comando: "Admiro muito o Guardiola, acredito que não tenha tempo para nos ver, porque está focado em ganhar a Liga dos Campeões. Mas convido-o a ver o jogo e conhecer o Palmeiras. Como sei que ele gosta de conhecer pessoas novas e eu também, se um dia puder almoçar ou jantar comigo, vai ser um prazer para trocarmos uma bolas ."

Tuchel vai estar no banco

O Chelsea, entretanto, ganhou um reforço de peso para a final desta tarde. O treinador Thomas Tuchel testou negativo á covid-19 e foi autorizado a dirigir a equipa na final do Mundial de Clubes - chegou ontem à tarde a Abu Dhabi. O técnico alemão, recorde-se, tinha dado positivo antes do início da prova e permaneceu isolado em Londres, tendo falhado por isso o jogo das meias-finais de quarta-feira frente ao Al Hilal, de Leonardo Jardim.

Palmeiras e Chelsea procuram o primeiro título nesta competição, que nas últimas oito edições foi ganhar por uma equipa europeia. Curiosamente, a última vez que um emblema canarinho venceu a prova, foi precisamente diante do Chelsea, na edição de 2012, num jogo que terminou com o triunfo do Corinthians, por 1-0. Na altura, os brasileiros eram orientados por Tite, atual selecionador do Brasil, e os londrinos pelo espanhol Rafa Benítez.

Abel Ferreira é o segundo treinador português a chegar à final do Mundial de clubes, depois de Jorge Jesus ter estado no jogo decisivo em 2019, ao comando dos brasileiros do Flamengo, que perderam com os ingleses do Liverpool por 1-0, após prolongamento.

nuno.fernandes@dn.pt
============2021 - Legenda (8390615)============
Abel pode tornar-se no primeiro português a ganhar o Mundial de Clubes.

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