A vitória que tornou Portugal mais especial para Medina

John John Florence foi a surpresa do dia ao ser eliminado nos quartos-de-final da prova portuguesa. Brasileiro venceu finalmente em Peniche e luta pelo título será decidida no Pipeline

Em 2012, um jovem brasileiro sonhador e ambicioso chegava à final em Peniche. Na altura, Gabriel Medina era visto como um dos talentos emergentes, mas perdeu em Supertubos para Julian Wilson. Desde esse ano que muito mudou para o surfista que se tornou o primeiro campeão do mundo brasileiro e uma referência da nova geração. Mas, apesar de adorar Portugal, nunca conseguiu vencer em Peniche... até ontem. Para continuar a sonhar com o título, precisava deste triunfo e alcançou-o. Venceu, saltou para o segundo lugar do ranking e vai para o Pipeline (última etapa do circuito) para disputar um título mundial que parecia estar a ficar longe antes de a prova chegar à Europa.

Há cinco anos chorou, ontem voltou a emocionar-se perante um público que entoou o seu nome e não se cansou de o chamar de campeão. E não esqueceu como já havia perdido com Julian Wilson, inclusivamente neste ano no Tahiti. "Já me derrotou tantas vezes que sabe bem ser eu a ganhar desta vez", desabafou. Ainda assim, o brasileiro de 23 anos não ganhou para o susto quando, a cinco minutos do fim, o australiano passou para liderança na final. "Pensei: "Outra vez não!" Mas não desisti. Estava confiante." Medina encontrou a onda que precisava para finalmente vencer o Meo Rip Curl Pro. "Agora Portugal é um lugar ainda mais especial", atirou.

Estão a ser semanas perfeitas para o brasileiro. Duas etapas na Europa, duas vitórias e um salto do oitavo para o segundo lugar no ranking. A luta pelo título está agora em aberto: "Antes não estava a pensar nisso, mas agora estou definitivamente a pensar no título mundial. O John John tem vantagem de pontos, mas tudo pode acontecer. Nada é impossível."

Acompanhado pela família e amigos, Medina mostrou-se confiante e até o tricampeão Mick Fanning se rendeu ao brasileiro, dizendo que está numa forma incrível. A final foi de nervos. Com as boas ondas a serem escassas, passou-se quase metade do heat sem surf de grande destaque. No entanto, os minutos finais foram emocionantes. "Adapto-me bem as estas ondas", realçou Medina, num dia em que os tubos foram escassos e foi preciso "puxar" de outras manobras. Foi já perto do sinal sonoro que arrancou o 6.33 que lhe garantiu a vitória, com uma pontuação final de 13.26 contra 10.94. "O Julian é muito bom surfista, tive de estar com muita atenção", referiu.

Gabriel Medina quer agora concentrar-se no Pipeline (de 8 a 20 de dezembro), onde também já fez um segundo lugar, esperando que o exemplo de Portugal possa ser um bom augúrio. Já Julian Wilson comentou que no Pipeline irá tentar uma nova vitória, mas sem responsabilidades de lutar pelo título. O australiano de 28 anos acabou por ter motivos para sorrir, apesar da derrota frente a Medina. "Ainda estou na luta?", perguntou, querendo confirmar se era verdade o que lhe estavam a dizer. "A ver vamos como vai ser. Tive um mau resultado em França [foi eliminado na segunda ronda] e recuperar assim é ótimo. Agora vou focar-me num bom resultado", disse.

Wilson é agora quarto do ranking e apesar de se prever uma luta acesa entre Medina e John John Florence, com Jordy Smith ainda na disputa, Wilson não vai desistir. "Adoraria ter ganho aqui a final, mas ainda ter uma hipótese de ganhar o título é excelente", admitiu. Está no seu sétimo ano na elite e o melhor resultado foi um sexto lugar em 2013 e 2015.

A eliminação de John John

Kolohe Andino é um surfista que merece todo o respeito. Porém, com John John Florence a depender dele próprio para se sagrar novamente campeão mundial em Peniche, o havaiano era o favorito para o heat dos quartos-de-final. Uma vitória nos Supertubos e repetia-se a festa de 2016. Neste ano foi tudo diferente. Florence teve muitas dificuldades em encontrar as boas ondas e a pontuação refletiu como tudo lhe correu mal: 3.80. Já Andino esteve sempre muito ativo e no final somou 14 pontos.

Foi uma desilusão para Florence, que apesar de ser havaiano e de estar na liderança quando chegar ao "seu" Pipeline , queria resolver já a questão. Agradeceu Medina - que também dependia dele próprio para garantir que ficasse tudo adiado para o Havai, caso ganhasse -, Julian Wilson e Jordy Smith.

O sul-africano chegou ao Quicksilver Pro, em França, na frente do ranking e agora está em terceiro. Porém, ainda na luta, mesmo depois de duas eliminações na terceira ronda. Se as etapas na Europa correram de feição a Medina, foram para esquecer para Jordy Smith. Adriano de Souza, Matt Wilkinson, Filipe Toledo e Owen Wright chegaram a Peniche com possibilidade de ainda serem campeões. Mas a verdade é que, dos oito que entraram em Supertubos como candidatos, só quatro vão para o Pipeline discutir um emocionante final de campeonato.

Nas míticas ondas havaianas também se irá decidir o prémio de rookie do ano e Frederico Morais está na frente para o agarrar. O surfista português foi afastado na quinta ronda pelo tricampeão Mick Fanning, na terça-feira. Porém, também os seus adversários caíram na mesma fase. Connor O"Leary é quem está mais perto (são 13.º e 14.º, respetivamente), pelo que este troféu muito ambicionado por quem tenta afirmar-se na elite mundial será também um ponto de interesse, principalmente para o surf português. Frederico Morais é o segundo português a estar a este nível, depois de Tiago Pires, e neste ano já alcançou uma final em Jeffreys Bay, na África do Sul, que acabou por perder para o brasileiro Filipe Toledo.

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