A defesa volta a ganhar e Manning pode sair em beleza

Denver Broncos batem Panthers. Von Miller foi o herói inesperado no dia do provável adeus de Peyton Manning

"Um bom ataque ganha jogos, uma boa defesa ganha campeonatos": a frase, atribuída a Phil Jackson (um especialista a vencer, como se viu nas últimas décadas na NBA...), é verdadeira em todos os desportos coletivos - até aqueles em que as estrelas ofensivas brilham com mais intensidade. E o futebol americano comprova-o com frequência: anteontem, foram os defesas que garantiram a terceira vitória dos Denver Broncos no Super Bowl (24-10 sobre os Carolina Panthers), oferecendo uma hipotética despedida em beleza ao lendário quarterback Peyton Manning.

A estatística prova que a teoria de Phil Jackson vai para além do seu tabuleiro de jogo (o basquetebol). Em 50 anos de Super Bowl, 31 campeões tinham uma das cinco melhores defesas da NFL (liga de futebol americano dos EUA) e dez exibiam mesmo a melhor defesa da época. Os Denver Broncos são a 31.ª e a 10.ª equipa desta história. E celebraram o terceiro título nacional do seu palmarés (após 1998 e 1999) numa noite em que até Peyton Manning jogou à defesa, quanto à possibilidade de o jogo ter sido o último da sua carreira.

O quarterback, que faz 40 anos em março, completou uma época discreta com um jogo igualmente apagado: acertou 13 passes em 23 tentativas, não fez qualquer para touchdown e permitiu uma interceção. No entanto, o desempenho da defesa dos Broncos - com Von Miller, MVP da final, em evidência - permitiu-lhe receber o segundo anel de campeão da carreira, com dois recordes históricos. Manning é o mais velho quarterback a vencer o Super Bowl e o primeiro a consegui-lo por duas equipas diferentes - os Broncos depois do Indianapolis Colts, em 2007.

No final da partida, no Levi"s Stadium, em Santa Clara (Califórnia), The Sheriff - como é conhecido - falou do futuro em aberto, numa altura em já parece longe da forma física que o levou a ser a maior estrela dos últimos 15 anos na NFL (a par de Tom Brady) e surge envolvido em boatos quanto ao uso de substâncias dopantes. "Não sei o que responder quanto ao futuro. Falei com o Tony Dungy [seu antigo treinador nos Colts], na semana passada, e ele aconselhou-me a não tomar uma decisão emocional num sentido ou noutro. Tive uma semana emotiva e uma noite igualmente emotiva que ainda está a começar: estou ansioso para ir celebrar com os meus amigos e a minha família. Terei tempo para pensar depois disso. Há que dar um passo de cada vez", disse Manning.

O quarterback não confirmou as previsões que apontavam para a sua retirada, de imediato, caso vencesse o Super Bowl - "penso que tomarei uma boa decisão e ficarei em paz com ela, qualquer que seja o seu sentido", disse ainda. E, resignado com o seu fraco desempenho - "as estatísticas dizem muito quanto ao meu rendimento, mas o que contava era a vitória da equipa" -, preferiu elogiar os colegas: "Ainda bem que estava na mesma equipa dos nossos defesas e não tive de jogar contra eles."

Quem teve de jogar contra eles foi Cam Newton, que não conseguiu fazer a diferença, no seu primeiro Super Bowl. O quarterback dos Carolina Panthers, considerado o jogador mais valioso da temporada da NFL, foi engolido pela defesa adversária, com Von Miller em grande destaque. O outside linebacker dos Broncos - segunda escolha do draft de 2011, apenas atrás de Newton - forçou dois fumbles (perdas de bola) do quarterback rival, em momentos decisivos do encontro. E, assim, travou a reação dos Panthers.

A equipa de Charlotte, que continua sem conquistar o título máximo da NFL (já tinha perdido a final em 2004), passou quase todo o jogo em desvantagem. Os Denver Broncos conseguiram pontuar logo na sua primeira jogada, com um field goal de Brandon McManus, chegaram ao intervalo a vencer por 13-7 e tiveram a sorte do seu lado.

Após o intervalo, a oportunidade para os Panthers reentrarem na discussão pela vitória - um remate de Graham Gano - embateu no ferro. E, na resposta, McManus voltou a pontuar (16-7). Um touchdown de C.J. Anderson, seguido de uma conversão de dois pontos, fechou as contas (24-10).

No entanto, mais do que eles, o herói improvável foi Von Miller, de 26 anos, que está em final de contrato com os Broncos. "Não estou preocupado. Será uma conversa pacífica", diz o outside linebacker, admitindo a renovação - tema menos mediático do que o futuro de Manning. Afinal, os defesas podem ganhar campeonatos, mas as estrelas ofensivas é que dão que falar.

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