Venus e Serena Williams: "Nunca tenham medo de sonhar alto!"

Quinta-feira chega aos cinemas uma das boas surpresas da temporada, King Richard- Para Além do Jogo, com Will Smith como o pai das tenistas Serena e Venus Williams. O DN esteve virtualmente com as manas mais famosas do ténis que aprovam esta biografia sobre o lugar do pai.

Foi uma viagem muito emocional ver este filme, cada vez que via o trailer chorava baba e ranho! Quando visitei as filmagens senti a atmosfera da nossa família. Estou tão orgulhosa! Amei perceber que havia muito amor naquele plateau. Apanhei muitas vezes as atrizes de mãos dadas", começa por dizer Venus Williams numa conferência virtual à qual o DN teve entrada para a promoção de King Richard- Para Além do Jogo, de Reinaldo Marcus Green, filme que narra a sua ascensão no mundo do ténis juntamente com a irmã.

De facto, este drama de superação segue as convenções do "biopic" mas fá-lo com uma dignidade herdada da tradição mais clássica de um certo cinema humanista americano. A própria abordagem de tom de Reinaldo Marcus Green, cineasta vindo de um cinema de autor verdadeiramente independente, é a pedra de toque numa narrativa que formula o plano de Richard Williams, um estudioso do ténis vindo de Compton, zona degradada de Los Angeles. Um plano que incluía criar duas filhas para desde cedo torná-las campeãs mundiais de ténis, precisamente Serena e Venus Williams. Com disciplina, teimosia e muitas lições de humildade, o "rei" Richard foi vendo o sonho da família tornado realidade, mesmo quando por vezes arriscou tudo: mudança de treinadores, recusa em colocá-las num campeonato de juvenis e a mudança para a Flórida.

King Richard foi um projeto que demorou anos a ser feito, sobretudo por imposição da família Williams que exigiu honestidade total à Warner no argumento final a ser feito. Um filme só possível graças à insistência de Will Smith, que além de protagonista é o produtor. Neste momento, numa altura em que a temporada dos prémios parece estar ao rubro, Smith está já na linha da frente como um dos favoritos para melhor ator. Para além dos maneirismos recriados de Richard Williams, Smith empresta à personagem um olhar de sonhador, uma pose de orgulho afro-americano. Um ator que apaga a sua imagem de estrela de cinema bonacheirona para se transformar num excêntrico homem de família que escolheu um desporto associado aos privilegiados e brancos para formar duas campeãs.

Sentada num court de ténis, Venus salienta que a atriz Sanyya Sidney que lhe deu vida no grande ecrã percebeu efetivamente a dinâmica da sua família. Ao seu lado, Serena, com uma juba aloirada, desenvolve: "para mim, tudo isto foi surreal! Que atores extraordinários! Meus deus, eles conseguiram fazer um relato perfeito da nossa união! O filme foca sobretudo a odisseia do nosso pai mas depois parei e pensei: será que eu e a minha irmã fomos mesmo especiais!? Ter o Will Smith a fazer de meu pai é mesmo surreal, acreditem. O filme é levado para um nível estratosférico com a sua interpretação. King Richard é um filme muito emocional, é brilhante!".

"Este é o filme que fiz que a minha mãe pode ver! Até porque a minha mãe é alguém que percebe o significado do amor, da família. Pessoas como a minha mãe podem gostar do filme, digo isto a sério. Creio que ninguém vai ficar perdido nos aspetos técnicos do ténis. Mostramos também como a Serena revolucionou o desporto mas sem que isso estragasse a mensagem da história de uma família que não se desune. E o Will foi também o verdadeiro capitão nas filmagens...", conta o realizador. Reinaldo Marcus Green evoca no filme Cinderella e outras nuances da Disney num piscar de olho à ideia de fábula real. Isso é das coisas mais emotivas e inteligentes de um filme que tem momentos comoventes sem cair na pieguice habitual dos filmes de "tributo". Claro que assistimos à glória de duas tenistas, mas nunca se apanha a boleia das suas conquistas. A história é essencialmente o seu começo no mundo profissional do circuito mundial do ténis.

Para Venus, King Richard vai transmitir uma forte mensagem às jovens adolescentes que ainda sonham: "é um filme que nos diz que tudo é possível e na importância de nunca duvidarmos de nós mesmas. Tem a ver com confiança e no poder da família como algo que nos ajuda a atingir os sonhos. Este é um filme de família e quem não percebe nada de ténis sempre pode identificar-se com a sua família. Esta história mostra que quando uma família se junta todos podem ir mais longe". A irmã Serena, ao lado, concorda e termina com um cliché justo: "o céu é literalmente o limite dos nossos sonhos! Nunca tenham medo de sonhar alto!". As manas Williams só não têm coragem de dizer outra das verdades: King Richard é um elogio aos americanos que arriscam em quebrar regras, como Richard Williams sempre fez com o percurso das filhas...

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