"Uma das maiores figuras culturais do Portugal contemporâneo", evoca Marcelo

O Presidente da República reagiu à morte, aos 98 anos, de José-Augusto França.

"Uma das maiores figuras culturais do Portugal contemporâneo", José-Augusto França, que morreu este sábado em Jarzé, França, aos 98 anos, após meses internado na sequência de um AVC, foi recordado por Marcelo Rebelo de Sousa nas suas mais diversas facetas, "historiador e crítico de arte, sociólogo, professor, director e animador de revistas, ficcionista e memorialista".

O Presidente da República, em nota de pesar na página da Presidência, destaca que entre os trabalhos mais importantes de José-Augusto França estão "monografias sobre Almada e Amadeo, sobre a cidade de Lisboa, sobre o romantismo em Portugal, além de volumes de referência sobre a arte portuguesa dos últimos dois séculos".

Para o chefe de Estado, "numa época em que a arte portuguesa tem vindo a alcançar o reconhecimento internacional há muito devido, é justo lembrar o muito que devemos a quem incansavelmente produziu um discurso crítico e histórico sobre as artes em Portugal. E ninguém o faz com mais intensidade, sabedoria e distinção do que José-Augusto França".

A artista plástica Emília Nadal, amiga do historiador, sociólogo e crítico de arte José-Augusto França, destacou, em declarações à Lusa, "o seu conhecimento, a sua capacidade de ver e a sua inteligência fulgurante".

"Era uma pessoa com quem eu tinha uma relação não só de amizade mas de reconhecimento extraordinária, que durou ao longo de 40 anos, porque ele escreveu sobre o meu trabalho pela primeira vez em 1976 e pela última vez em 2015, e tenho-lhe um reconhecimento enorme pela forma como profissionalmente sempre me apoiou no trabalho que eu fui fazendo, sendo quem era, o que me merece um respeito enorme pela sua sabedoria, pelo seu conhecimento", recordou.

A pintora destacou, além disso, "a amizade que se foi estabelecendo, ao longo de tantos anos".

"Culminou nestes últimos dez anos, nos nossos encontros frequentíssimos no Jardim da Estrela: eu moro perto, moro naquela zona, e o professor França, quando estava em Lisboa, tinha ali o seu poiso, o seu escritório, onde se encontrava com os amigos, os discípulos -- chamava-lhe 'o grupo da Estrela' -, onde trabalhava, inclusivamente, como também aconteceu comigo, no último texto que ele fez. Foi o último texto, provavelmente, e vai ser a última coisa que ele escreveu para ser publicada e que ainda não foi lançada", indicou.

"Sobretudo, o que eu destaco é o seu olhar, o seu conhecimento, a sua capacidade de ver e a sua inteligência -- realmente, uma inteligência fulgurante e uma pessoa de exceção. Ele foi uma pessoa fundamental na História da Arte em Portugal e na cultura portuguesa", sublinhou Emília Nadal.

"Foi um homem com uma produção formidável de textos, de publicações, e era um grande professor - não foi meu professor, nunca fui sua aluna propriamente dita, mas foi professor de vida, professor de conhecimento, professor de apetência e de apreciação da cultura e do pensamento, como o dele, que era sempre tão inquieto, tão lúcido e tão informado", concluiu.

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