Super-heróis no cinema: a investida francesa

Estreia-se na realização com uma super-produção francesa a chegar à Netflix esta semana. Como me Tornei um Super-Herói leva-se a sério em ser uma alternativa às propostas do género em Hollywood.

A resposta da indústria de cinema francês ao blockbuster da Marvel e da DC chama-se Como Me Tornei um Super-Herói, de Douglas Attal, fantasia numa Paris onde uma nova droga dá aos comuns mortais super-poderes. Cabe a um grupo de super-heróis genuínos atuar em grupo e combater o flagelo. Os efeitos visuais são de uma escala diferente daquilo que Hollywood mostra e há um tom mais negro do que o costume. Com um elenco fortíssimo no qual se destacam Pio Marmai, Benoit Poelvoord, Vimala Pons e Swann Arlaud, Comment Je Suis Devenu Super-Héros esteve pensado para ser lançado com pompa nos cinemas mas acabou por ser adquirido pela Netflix e chega esta semana ao streaming. Quando o DN foi pedir explicações ao realizador nos encontros da Unifrance em janeiro, ninguém ainda adivinhava a compra pela Netflix..

Apesar deste ser um filme de super-heróis com um imaginário negro será que é justo falar-se num tom de comédia moral?
Como Me Tornei um Super-Herói é uma mistura de vários registos. Vai da fábula, comédia ao policial sem nunca deixar de ser um filme de super-heróis, embora estejam convocadas uma série de camadas como a questão moral... A questão da droga que os jovens tomam e que dá uma glória efémera de cinco minutos é também um comentário sobre a nossa sociedade de hoje. Trata-se de um filme que coloca a seguinte questão: o que é agora o heroísmo?

Talvez siga aquela máxima que conhecemos dos filmes de super-heróis clássicos, como a de Homem-Aranha: "Com um grande poder chega uma grande responsabilidade"...
Gosto tanto dessa frase! Atrai-me a ideia de que os super-poderes possam igualmente ser um tormento. No segundo Homem-Aranha, do Sam Raimi, joga-se com aquela ideia de que ter super-poderes é algo excitante mas, depois, segue-se uma fase de desengano... Ainda assim, importante para mim foi seguir uma certa tradição do policial francês onde se sublima o quotidiano dos agentes policiais. De certa forma, isso foi mais importante do que as inspirações na BD francesa.

Por outro lado, nos efeitos visuais há um certo distanciamento do dispositivo digital dos filmes da Marvel ou da DC...
Sabe, o filme tem esse lado de policial e, portanto, não quis que os efeitos visuais pudessem parecer que vinham de um outro filme. Queria que tivessem uma inspiração no real e que o fogo parecesse verdadeiro, tal como a luz. Baseámo-nos também em fenómenos de iluminação reais para que os efeitos se integrem na imagem total do filme. Aqui, os efeitos visuais não fogem de um certo realismo do filme.

Qual foi a coisa mais heróica que fez na sua vida real?
Fazer este filme não foi um ato super-heróico mas sim transcendental! Tive de ter uma energia sobrehumana.

Planeia tornar esta história numa franquia ou, pelo menos, há a possibilidade de uma sequela?
Refleti muito sobre isso e deixei uma porta aberta para essa possibilidade, nem que seja uma série. Talvez nasça um novo super-herói e possa reunir-se ao grupo. Gostaria, por exemplo, de reencontrar a personagem daquela jovem que tem super-poderes ou algo com aqueles que estão com Alista....

dnot@dn.pt

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