Sede da Porta dos Fundos atacada com 'cocktails molotov'

"Não vão calar-nos", diz o humorista Fábio Porchat reagindo ao ataque com 'cocktails molotov' de que foi alvo a sede da produtora Porta dos Fundos, semanas após o lançamento na Netflix de uma sátira de Natal que está a causar polémica no Brasil.

"Na madrugada do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a sede da Porta dos Fundos foi alvo de um atentado" que não provocou vítimas, anunciou a produtora, em comunicado divulgado na terça-feira.

Na mesma nota, a produtora condena "todos os atos de violência" e afirma esperar que "os responsáveis por este ataque sejam encontrados e punidos".

Foram atirados dois cocktails molotov contra a fachada da sede da produtora na zona sul do Rio de Janeiro, provocando um incêndio que foi controlado por um dos seguranças no local. O caso foi registado na polícia de Botafogo como crime de explosão e as autoridades realizaram perícias no local.

O incidente foi filmado pelas câmaras de vigilância, tendo as imagens sido entregues às autoridades. Numa nota enviada aos meios de comunicação, e citada pela Folha de S. Paulo, o grupo disse ainda que a prioridade nesta altura "é a segurança de toda a equipa que trabalha connosco".

Em imagens de vídeo verifica-se que o ataque foi realizado por três pessoas. Segundo elementos do coletivo de humor, caso não houvesse um funcionário no local para apagar o incêndio o prédio todo poderia ter ardido.

"Não vão nos calar! Nunca! É preciso estar atento e forte...", escreveu o humorista Fábio Porchat no Twitter, partilhando uma notícia sobre o ataque à sede da produtora do coletivo de humor que fundou em 2012 com António Pedro Tabet, Gregório Duvivier, João Vicente de Castro e Ian SBF.

"Ofende gravemente os cristãos"

No dia 3 de dezembro, a produtora lançou um especial de Natal na plataforma Netflix, com o título A primeira tentação de Cristo, na qual Jesus é representado como um jovem que terá tido uma experiência homossexual e também insinua que o casal bíblico Maria e José viveram um triângulo amoroso com Deus.

A sátira, de 46 minutos, protagonizado pelos humoristas brasileiros Gregorio Duvivier e Fábio Porchat, não agradou a grupos religiosos, que criticaram a temática abordada. Foi também lançada uma petição contra o filme, com mais de dois milhões de assinaturas de pessoas que consideram que o mesmo "ofende gravemente os cristãos".

A Netflix, contactada pela Reuters, não quis comentar o ataque à sede da produtora.

A 18 de dezembro, o deputado federal (membro da câmara baixa do Congresso) Júlio Cessar Ribeiro anunciou nas redes sociais que encaminhou um ofício ao ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, solicitando a "apuração e representação criminal" contra os humoristas da Porta dos Fundos.

O parlamentar alegou que os humoristas violaram o artigo 208 do Código Penal brasileiro ao "vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso".

Na Assembleia Legislativa do estado brasileiro de São Paulo o caso gerou um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), um instrumento legal que dá aos parlamentares o direito de investigar um facto que seja muito importante para a vida pública e para a ordem constitucional, legal, económica ou social do país. Seguiram-se vários apelos ao boicote ao serviço de streaming da Netflix.

Até sexta-feira, segundo a Folha de S. Paulo, tinham chegado aos tribunais sete queixas contra o serviço de streaming Netflix. Seis delas foram recusadas. Uma delas, proposta por um grupo ligado igrejas evangélicas, e que tem os signatários o presidente da câmara municipal de S. Paulo, Eduardo Tuma, pede que todos os cristãos que se sentiram lesados sejam indemnizados.

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