Exclusivo São José Lapa. Meio século de teatro e cidadania

Em Da Compaixão - Chove e Sol em Paris, em cena até 16 de maio, no Teatro Taborda, em Lisboa, a atriz volta à encenação. Prestes a comemorar 50 anos de carreira, continua a fazer do teatro uma causa por que vale a pena lutar.

Há vozes que têm dentro a capacidade de convocar o cheiro do teatro, a expectativa de quem espera a subida do pano, a emoção da palavra projetada no espaço. Ao receber a jornalista em sua casa num domingo quente de primavera, São José Lapa pode estar a falar-nos dos seus gatos ou simplesmente das obras que fez no soalho e, no entanto, aquele timbre grave, inconfundível, devolve-nos toda uma galeria de personagens, desde a Mrs. Erlynne, de O Leque de Lady Windermere, à deliciosa Natacha Seminova do programa de Herman José Casino Royale.


Mas o teatro não foi uma vocação irresistível, admite agora, quando passa meio século sobre a sua estreia, na peça Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, em junho de 1971. "Comecei por acompanhar a minha irmã Fernanda Lapa, sete anos mais velha do que eu, aos ensaios da Casa da Comédia, por insistência dos meus pais, a quem parecia mal que ela fosse sozinha, apesar de andar lá por lá o próprio Almada e de a Casa da Comédia ser dirigida por uma figura tão justamente respeitada como o Fernando Amado. Por causa disso, vi muito teatro em miúda, mas, nessa idade, não me pareceu uma opção profissional."

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