Pintura. O lado B de Fernando Tordo

Tal como na música, na pintura Tordo não sabe - e não quer - estar parado, é isso que lhe dá gozo.

O nome do cantor e autor dispensa apresentações. Tem sido dos mais profícuos na sua área e há décadas que acompanha várias gerações. Fernando Tordo tem um lado menos conhecido, o seu lado B: pintar.

Tal como na música, na pintura Tordo não sabe - e não quer - estar parado, é isso que lhe dá gozo, "é uma maneira porreira de saber que estamos vivos", explica entre sorrisos. Mal saiu da cama do hospital onde, com gravidade, a covid-19 o "aprisionou" durante quase um mês, chegou a casa e não parou de pintar. "Uma coisa louca", diz. E de compor - em breve vem aí a composição Suite das Mulheres de Azul.

Os quadros surgiram na sua vida "por causa da música", explica. "A pintura tem uma série de vocábulos que estão ligados com as questões cromáticas, são as cores da harmonia. A música e a pintura estão interligadas". O gosto de ver pintura vem desde sempre, sublinha com entusiasmo: "Fico embasbacado a olhar para um Rembrant ou um Picasso, como fiquei ao ver o Guernica no Museu Rainha Sofia, em Madrid. É essa a minha emoção com a pintura". A conversa leva-nos rapidamente a Amadeo de Souza-Cardozo, "um tipo que passava mais tempo a pintar do que a fazer outra coisa qualquer", diz Tordo, a quem os olhos brilham ao falar do pintor.

Fernando Tordo começou a pintar no final dos anos 1980. "Fui a uma loja de pintura e comprei material", recorda. E depois foi praticando, praticando... "A partir do momento em que se compra umas tintas e começamos a copiar os mestres percebemo-nos de uma série de esquemas deles. No Picasso um traço que não é contínuo mas que é uma linha que vai de um nariz a um joelho e termina na ponta do pé. A matemática está lá. É fascinante! A emoção que se sente quando se pinta é fantástica, e não está à venda nas farmácias".

E não, não ouve música quando pinta. Mas pinta e compõe. Pára de pintar e vai compor, pára de compor e vai pintar, uma alternância criativa que o satisfaz. Em breve, e apesar de não se levar muito a sério na pintura, vai mostrar alguns quadros numa exposição na galeria Sá da Costa, no Chiado, e mostrar a sua melodia de cores.

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