Pedro e Diogo, filho e neto de José Mário Branco, cantam juntos em homenagem ao músico

Concerto de homenagem a José Mário Branco acontece este domingo, em Lisboa, dois meses após a morte do músico.

"Quando eu for grande quero ser um bichinho pequenino p'ra me aquecer na mão de qualquer menino", assim cantava José Mário Branco em Quando eu for grande (Carta ao Meus Netos), o tema, com letra de Manuela de Freitas, que foi incluído no álbum Correspondências, de 1990. E assim vão cantar juntos Diogo e Pedro Branco, respetivamente neto e filho do músico, este domingo, às 17:00, no concerto de "Tributo a José Mário Branco" que se realiza na Academia de Santo Amaro, em Lisboa.

Será uma oportunidade rara para ouvi-los. Diogo, de 31 anos, é ator, embora também cante. E Pedro, de 52 anos, é professor do 1º ciclo, embora também seja músico e até já tenha lançado um disco. Mas nenhum deles tem por hábito cantar os temas de José Mário Branco.

"Claro que vivi a minha infância rodeado de música", conta Pedro Branco. "Mas sempre quis ser professor, desde os três anos que o dizia, nunca coloquei a hipótese de fazer da música uma profissão. Além disso, para o meu pai a música estava muito ligada à intervenção e ao seu modo de ver a sociedade, para mim é uma forma de expressão completamente diferente, sou mais baladeiro, canto a amizade e o amor, canto mais o interior, o meu e o das outras pessoas." Prefere as tertúlias românticas aos comícios.

Em 2018, Pedro Branco lançou aquele que é o seu único disco, intitulado Contigo. Assina as letras, compõe as músicas e canta. É, tal como José Mário Branco, um cantautor. "Não sou um intérprete", confirma. "A música é uma das minhas linguagens, faz parte da minha existência. Não é só um hobby, é uma necessidade, tenho que a fazer com alguma regularidade."

Pedro não nega a influência do pai (na música e em tudo o resto) mas não gosta de comparações: "Havia sempre um grande afastamento na forma como ele encarava o lado amador e o lado profissional da música. Para ele, a música era a sua vida. Para mim não era a mesma coisa, por isso ele não dava essa importância. Mas raramente me ia ver tocar porque, como era muito exigente com tudo, ficava muito nervoso, não conseguia distinguir o olhar profissional do olhar do pai."

Apesar de não o fazer regularmente, no próximo domingo vai subir ao palco para interpetar temas do pai. "Não me quero excluir destas homenagens", justifica. Vai cantar quatro temas - A cantar é que te deixas levar (de José Mário Branco e Manuela de Freitas, embora popularizado por Camané), Aqui dentro de casa, Casa comigo Marta e Do que um homem é capaz - acompanhado pela prima Clara Branco e ainda com a participação do Coro Comunitário da Ajuda, que dirige. E depois vai acompanhar o filho, Diogo, em Carta aos Meus Netos e Carta a José Afonso. "Na nossa família, mais ninguém fez carreira na música, mas todos tocamos e cantamos. Uma casa com Brancos tem sempre música a acontecer", garante Pedro Branco.

Diogo Branco, que ficou conhecido do grande público por ter participado no concurso Esta Cara Não Me É Estranha, da TVI, é sobretudo ator. Desde 2006 que o vemos em peças de teatro como A Casa da Lenha (Teatro Nacional D. Maria II), Morte de um Caixeiro Viajante (Teatro Municipal de Almada), no cinema (Bairro, Quarta Divisão) e na televisão (Morangos com Açúcar, Mundo ao Contrário, Ouro Verde, Jogo Duplo, 3 Mulheres). No ano passado, Diogo participou em Variações, o filme de João Maia sobre o cantor António Variações, e integrou o elenco de Amadeo, de Vicente Alves do Ó (com estreia prevista para novembro deste ano).

A ideia para este tributo foi de Vítor Sarmento, também ele músico e velho amigo de José Mário Branco. "A melhor forma de homenagear os grandes músicos é tocá-los e cantá-los", explica. "Acho que temos obrigação de cantar as suas canções para os mais novos também as conhecerem." O tributo acontece, não por acaso, dois meses após a morte súbita de José Mário Branco e no palco, além de Vítor Sarmento e Pedro e Diogo Branco, vão atuar Samuel, Carolina Pinto e José Manuel Esse. Haverá ainda a participação do jornalista Fernando Correia como apresentador, o dramaturgo Hélder Correia irá recordar algumas memórias de José Mário Branco e Ana Picoito Pinto declamará algumas poesias. No final, juntam-se todos em palco para interpretar alguns temas, como Vim de Longe e Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades. Os bilhetes gratuitos já foram todos distribuídos pela Junta de Freguesia da Ajuda.

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