Panfletos e raparigas rebeldes

Moxie é, tão-só, um manifesto feminista para adolescentes. Estreia no Netflix.

Comédia high school para a era #MeToo? O novo filme de Amy Phoehler, na cadeira de realizadora, tem a precisão de um relógio suíço e a fragilidade de um argumento que, apesar de oportuno, não sai da linha mais rudimentar de pensamento.

Tudo ganha forma quando uma tímida jovem de 16 anos (Hadley Robinson), cansada de assistir ao sexismo reinante na sua escola - e inspirada pela mãe (a própria Amy Phoeler), que em adolescente só queria destruir o patriarcado -, decide, de forma anónima, lançar as sementes para uma revolução feminista através de panfletos intitulados "Moxie". Das palavras à ação é um saltinho.

O problema com este pequeno filme bem-intencionado, que ganha a nossa simpatia q.b., é que não se livra de derrapar quando confunde a rebeldia com uma campanha irrefletida. Exemplo: a cena de sala de aula em que é contestado o estudo de um livro como O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, porque é sobre "um gajo branco rico" e escrito por "um gajo branco".

Enfim, ter de explicar que o valor de um clássico não passa pela cor da pele do autor é entrar numa discussão (muito na moda) que começa sempre com o pé errado... Moxie é feliz na premissa geral, mas demasiado familiar e simplista na aplicação da mensagem.

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