O Lado B de Jonas: "Quero pôr as pessoas a dançar o fado"

Jonas é fadista. Recentemente lançou o seu primeiro álbum a solo: São Jorge. E o seu lado B é a dança. Mundos que pouco ou nada têm a ver, mas que o fadista, de 35 anos, teima em juntar.

Jonas, ao DN, conta que começou a dançar quase por acidente, "foi por instinto ou se calhar genética", já que a sua mãe cantava fado e dançava.

Depois da primeira formação no multidisciplinar Chapitô e de ter lançado o projeto de "fado mutante" Rosa Negra, onde foi vocalista, Jonas seguiu o tal instinto e aos 24 anos entrou para a escola superior de dança. Fado e dança? Sim, porque se assume como fadista em primeiro lugar, explica: "A dança contemporânea é o oposto do fado e está sempre a olhar para o futuro, é um laboratório de experimentação sem rede e no vazio, enquanto o fado é muito alicerçado no passado." Os opostos atraem-se, talvez? Fez sentido para Jonas que com esse "casamento" tem reavivado a memória perdida do fado dançado. "O fado na sua origem era uma dança que tinha muito de outras como o fandango e o vira e também tinha algumas influências das danças dos escravos que vinha do Brasil. E é algo que desapareceu e não se sabe porque isso aconteceu." Esse foi o mote para a peça Bate Fado que cocriou e que agora começa a regressar à cena. Durante duas horas, cinco bailarinos e um quarteto clássico de fado - duas guitarras portuguesas, um baixo e uma viola - recuperam o fado dançado e a sua memória.

E a par desta peça e do novo disco há mais projetos futuros para juntar os lados A e B de Jonas. "Quero pôr as pessoas a dançar fado, numa pista de dança, com DJ e música eletrónica, mas com os elementos do fado." Irá acontecer em Serralves, no Porto, já em fevereiro.

filipe.gil@dn.pt

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