Exclusivo O filme dos Óscares que Portugal não quis estrear

Talvez importe refletir sobre as razões pelas quais Judas e o Messias Negro (mesmo com Óscares e nomeação para melhor filme) não ter estreado nos cinemas nacionais. Está nos videoclubes das operadoras.

Em Portugal é complicado o cinema afro-americano chegar aos ecrãs. Questão cultural? Medo de um preconceito racial? Seja o que for, a distância com os temas de filmes sobre questões negras americanas tem levado os distribuidores a chutar esses filmes para o mercado do Home Cinema. É o que aconteceu com Judas e o Messias Negro, de Shaka King, que mesmo com múltiplas nomeações aos óscares, incluindo melhor filme, não teve luz verde da Warner para chegar às salas. O historial dos filmes com atores afro-americanos fez com que a NOS Audiovisuais não apostasse numa estreia em sala, mesmo quando uma obra como Moonlight, de Barry Jenkins, vencedor dos Óscares em 2017, fez números auspiciosos. No caso deste Judas and The Black Messiah a ironia ainda é mais cruciante: o filme venceu o Óscar de melhor ator secundário (Daniel Kaluuya) e melhor canção (H.E.R.). Entretanto, quem o quiser ver é carregar no botão do seu comando e o apanhar no videoclube da sua operadora televisiva: é um dos destaques, sendo que depois do "boom" do cinema nas plataformas cada vez menos gente paga para alugar filmes neste sistema...

Goste-se ou não dos resultados finais, esta obra de estreia deste cineasta afro-americano tem a mais-valia de servir como objeto didáctico sobre os méritos de Fred Hampton, 21 anos, ativista e líder dos Black Panthers. O filme narra não só todo o processo que levou o FBI a colocar um infiltrado na delegação de Hampton em Illinois, mas também todos os seus esforços para servir uma comunidade negra negligenciada, conseguindo importantes conquistas no direito de educação e participação cívica da comunidade negra. Hampton que viria a ser morto pela polícia em 1969 enquanto dormia com a namorada grávida.

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