O fantasma do cabelo comprido e molhado está de volta

Continua a haver uma banheira e um fantasma de cabelo molhado, mas "The Grudge: Maldição", versão de Nicolas Pesci, é uma péssima reciclagem de um título que Hollywood foi buscar ao Japão.

Mais um The Grudge... Obviamente, a dúvida será perceber se a Sony quer rentabilizar um título que já teve várias vidas ou se da parte do produtor Sam Raimi (cineasta de Homem-Aranha e O Plano) haverá algum tipo de reminiscência platónica com J-Horror (tipo de filmes de terror com receita japonesa). A dúvida é desfeita mal saímos da sala: este reboot (apenas se usa a maldição japonesa de fantasmas que nascem a partir de mortes raivosas) é uma vergonhosa ideia de Hollywood em enganar a criançada com um título que tem tradição mas que já nada tem do original. Ou seja, esta versão 2019/20 já não é sequela nem remake, é apenas esticar o conceito dos fantasmas de cabelo comprido que atacam em casas "marcadas".

A casa em questão é uma velha mansão de subúrbio onde uma americana vinda do Japão traz a praga. Uma casa onde quem quer que entre fica com a maldição japonesa presa, o que é o mesmo que dizer que fica com a morte à perna. Todas as mortes são violentas, remontam a alucinações e mudam o estado psíquico da vítima. Uma agente policial recentemente colocada tenta investigar o caso e, aos poucos, percebe que todas as mortes poderão estar relacionadas com espíritos. O seu único problema é que ela própria começa a ter o ressentido fantasma no seu encalce...

Nicolas Pesce, que os portugueses conhecem de Os Olhos da Minha Mãe (filme de terror de 2016 que deu nas vistas por cá por ser protagonizado pela atriz portuguesa Kika Magalhães), talvez por encomenda, aceitou ser ele o executante da coisa. O resultado exibe exatamente um lado de "encomenda", onde o conceito original japonês se perde por completo. Os sustos são requentados e a estrutura de cada chill tem os timings errados.

De forma muito direta, The Grudge: Maldição é sobretudo muito aborrecido e extremanente pouco criativo. O exemplo do conto de horror sisudo e formulaico, onde não faltam as sempre pindéricas acelerações de câmara, as mortes previsíveis e os efeitos sonoros a anunciarem sarilhos. Além do mais, a sua justificação narrativa atinge cúmulos de ridículo. Lá para o meio, o argumento entra numa tresloucada sucessão de disparates quase todos eles obsoletos e dignos de um objeto de terror de série B.

Ajuda também muito pouco a própria estrutura narrativa ser à base de flahsbacks, todos eles a anular qualquer tipo de sensação de medo. Além do mais, Pesce é sempre pródigo em carregar as sequências com elementos supérfluos.
Nesta moda dos filmes de terror com aura de "autor", The Grudge é apenas uma exceção para esquecer. Um filme de terror que é um horror e que mancha a carreira de Andrea Riseborough, a protagonista, atriz que em Battle of the Sexes e A Morte de Estaline provava que é um dos maiores talentos vindos de Inglaterra em Hollywood.


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