NOS Alive: Quando o rock também se dança

Eels e The Queens of the Stone Age foram os protagonistas maiores de um dia de festival embalado pelos sons da guitarra elétrica

Por volta das sete da tarde, na tenda do palco Sagres, já não batia o sol, mas tanto na plateia como no palco abundavam os óculos escuros.

Nos Eels, tal adereço faz parte do uniforme, remetendo para um imaginário bluesy, sujo e barulhento, de guitarras desvairadas. Bone Dry e You Are The Shining Light, dois momentos sacados ao elogiado último disco, The Deconstruction, foram celebrados como se de grandes clássicos se tratassem - e eventualmente têm tudo para o vir a ser.

O álbum tem apenas um par de meses, é certo, mas os Eels já levam mais de duas décadas de estrada às costas e isso faz toda a diferença, com Everett a revelar-se um excelente mestre-de-cerimónias, num concerto que pareceu divertir tanto a banda, em palco, como o público, na plateia.

Mr. E, como também é conhecido pelos mais chegados o vocalista e líder da banda americana, é o suprassumo do cool, com os seus óculos escuros a aguentarem até uma ganga completa (calças a casaco) que desacreditariam qualquer um, mas não a ele.

E nem sequer faltou aquela piscadela de olho aos fãs mais antigos, com a interpretação de Novocaine For The Soul, o tema de abertura do álbum de estreia Beautiful Freak, lançado em 1996, quando muitos dos que ontem os aplaudiram ainda nem nascidos eram.

Quando se foram embora, já quase não havia réstia de sol, mas na plateia continuavam a ver-se muitos óculos escuros. Quando os Yo la Tengo chegaram, eram no entanto muitos menos, por ser já noite, mas especialmente porque grande parte da multidão anterior vagueava então em direção ao palco Nos, onde daí a nada começavam os The National, naquele que seria o 15º concerto da banda americana em Portugal. Mas, como sempre, foi como se fosse a primeira.

O grupo do Ohio é mestre na arte de transformar todo o tipo de desamores em boas canções, mas é ao vivo que estas são transformadas em algo muito maior, numa celebração da vida e das pessoas - e isso não cabe num simples disco. Só isso explica que temas como Day I Die, Mr. November ou Fake Empire continuem a ser recebidos assim, em total euforia, concerto após concerto.

Ajuda, claro está, que, de repente, o vocalista Matt Berninger, esteja ali ao nosso lado, na barraca da cerveja, a cantar-nos aos gritos, cara a cara, entre brindes, abraços e cerveja pelo ar, como sempre acontece quando os amigos se reencontram.

Os Queen of the Stone Age não são tão assíduos quanto os The National e por isso o estatuto de cabeças-de-cartaz, neste segundo dia, era mais que justificado. A última visita, há quatro anos, no Rock in Rio, não deixou grandes recordações e portanto também por isso a expectativa era alta.

Josh Homme (e companhia) não a defraudou, arrancando com Feet Don't Fail Me e The Way You Used to Do, as duas orelhudas canções com que também inicia o último disco Villains, lançado no ano passado.

Estava dado o mote para um concerto a toda a velocidade, que passou em revista quase duas décadas de carreira e terminou em beleza com uma sequência de luxo iniciada pela lânguida Make It Wit Chu e prolongada com Little Sister, Go With The Flow e A Song For The Dead. Sim, porque o rock musculado também se dança e não há mal nenhum nisso.

No palco Sagres passou-se mais ou menos o mesmo, mas ao contrário, com a pop eletrónica dos Future Islands a ser embrulhada por uma energia rock que voltou a transformar o concerto do trio americano num dos momentos altos do festival, tal como aconteceu há três anos, aquando da sua estreia no Nos Alive.

No palco principal já tocavam entretanto os Two Door Cinema Club. E o público, agora em menor número e mais disperso, continuava a dançar. Nas filas para a comida, no balcão da cerveja e em rodas de amigos, sozinhos, a dois ou em grupo, todos dançavam.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG