Morreu o escultor João Cutileiro

O escultor João Cutileiro tinha 83 anos. Estava internado num hospital de Lisboa com graves problemas do foro respiratório, informou a diretora regional de cultura do Alentejo.

O escultor João Cutileiro morreu, aos 83 anos, avança a TSF, que cita fonte próxima da família.

A diretora regional de cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, disse à Lusa que João Cutileiro morreu esta terça-feira. Estava internado num hospital de Lisboa com graves problemas do foro respiratório.

João Cutileiro é autor do Monumento ao 25 de Abril, instalado no Parque Eduardo VII, em Lisboa, entre muitas outras obras. O intimismo, o erotismo e o amor são os principais temas da sua obra escultórica, muito marcada pelo mármore, reconhecida em Portugal e no estrangeiro. A escultura de D. Sebastião, em Lagos, obra que desafiou o Estado Novo em 1970, foi o seu trabalho mais polémico.

Nasceu em Lisboa, a 26 de junho de 1937, mas vivia e trabalhava em Évora, onde está exposta uma parte da sua obra, desde 1985.

João Cutileiro foi condecorado com a Ordem de Sant'Iago da Espada, Grau de Oficial, em agosto de 1983, e recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora e pela Universidade Nova de Lisboa, este último, concedido em 2017.

Frequentou os ateliês de António Pedro, Jorge Barradas e António Duarte de 1946 a 1950, tendo feito a sua primeira exposição individual ("Tentativas Plásticas") em 1951, com 14 anos, em Reguengos de Monsaraz, onde apresentou esculturas, pinturas, aguarelas e cerâmicas.

Em 2018, doou a casa-atelier e parte do espólio ao Estado português. Na altura, recebeu da ministra da Cultura, Graça Fonseca, a medalha de mérito cultural, numa cerimónia realizada no Museu de Évora.

Iniciou-se nas artes em ateliês de diversos mestres e, depois de uma breve passagem pela Escola de Belas Artes de Lisboa, rumou, por indicação de Paula Rego, à Slade School of Art, em Londres (Inglaterra), onde se diplomou.

No início dos anos 60, Cutileiro regressou a Portugal, subvertendo os cânones da estatuária do Estado Novo, intervindo no espaço público com projetos de arte urbana marcada pelo experimentalismo.

João Cutileiro era irmão do diplomata, antropólogo e escritor José Cutileiro, que morreu em maio de 2020.

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