Morreu Helena Marques, escritora e ex-diretora adjunta do DN

A autora do livro "O Último Cais" foi jornalista do DN durante vários anos. Morreu nesta segunda-feira aos 85 anos.

A escritora e jornalista Helena Marques morreu nesta segunda-feira aos 85 anos, anunciaram as editoras Leya e Dom Quixote.

Publicou romances e livros de contos e recebeu vários prémios literários ao longo da vida, nomeadamente o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.

Helena Marques começou a sua carreira de jornalista, que se estendeu por 36 anos, no Diário de Notícias do Funchal e terminou no Diário de Notícias de Lisboa, onde trabalhou entre 1978 e 1992, e foi diretora-adjunta, de 1986 a 1992, sob direção de Dinis de Abreu.

O seu percurso profissional ficou ainda marcado pela passagem por redações de outros diários, como foi o caso de A Capital, República e A Luta.

Publicou o seu primeiro romance, "O Último Cais", aos 57 anos, um livro de estreia muito aclamado, que lhe granjeou vários prémios: o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Prémio Revista Ler/Círculo de Leitores, o Prémio Máxima de Revelação, o Prémio Procópio de Literatura e o Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa.

Ao todo, Helena Marques publicou cinco romances e um livro de contos, todos editados pelas Publicações D. Quixote, do grupo editorial Leya.

Dois anos após a publicação de "O Último Cais", Helena Marques lançou o romance "A Deusa Sentada" (1994), a que se seguiram "Terceiras Pessoas" (1998) e "Os Íbis Vermelhos da Guiana" (2002).

Em 2007, publicou o livro de contos "Ilhas Contadas" e, três anos depois, em 2010, publicou o seu último livro, "O Bazar Alemão". Em 2013, veio a receber mais uma distinção, o Prémio Gazeta de Mérito.

A sua obra está traduzida para alemão, italiano, castelhano, grego, romeno e búlgaro.

Em entrevista à agência Lusa, quando conquistou o Grande Prémio da APE, disse que a escrita de ficção, ao contrário do jornalismo, é "um exercício demorado", a que se decidiu dedicar.

Era mãe do editor Francisco Camacho, do grupo Leya, do jornalista Pedro Camacho, ex-diretor de Informação e atual diretor de Inovação e Novos Projetos da agência Lusa, do antigo jornalista Paulo Camacho e da tradutora Joana Camacho. Foi casada com o jornalista Rui Camacho (1936-2014), antigo chefe de redação da ANOP - Agência Noticiosa Portuguesa, que esteve na origem da agência Lusa.

"Foi com profunda tristeza que a LeYa e a Dom Quixote receberam, ontem [segunda-feira] à noite, a notícia do falecimento da escritora Helena Marques. Aos seus filhos - particularmente ao nosso colega Francisco Camacho, editor da LeYa e também escritor - netos e bisnetos, endereçamos as mais sentidas condolências", lê-se num comunicado da editora.

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