Morreu Anna Karina, musa da "Nouvelle Vague"

A atriz, cantora e realizadora, protagonista de várias obras de Godard, morreu aos 79 anos, vítima de cancro

A atriz, de origem dinamarquesa (nasceu em Copenhaga em 1940), chamava-se na verdade Hanna Karin Barke Bayer. Tendo chegado a Paris com 17 anos, foi Coco Chanel quem a batizou com o nome com que se tornaria numa figura icónica da Nouvelle Vague. Antes de ser atriz começou por ser modelo.

Foi na publicidade, precisamente, que Jean Luc Godard que reparou nela. Anna Karina participou, como protagonista, em diversos filmes dos seus filmes. Casariam os dois depois da rodagem de "Le petit soldat". "Une femme est une femme", "Alphaville" e "Pierrot Le Fou", foram apenas alguns, entre muitos outros. Pelo seu papel em "Une femme est une femme" recebeu o galardão de melhor atriz no Festival de Cinema de Berlim de 1961.

Desse amor com Godard diria uma vez, numa entrevista: "Foi tudo muito emocionante desde o início. É claro que tivemos uma ótima história de amor e tudo isso, mas éramos tão diferentes. Ele era 10 anos mais velho que eu e era muito estranho: ia embora e voltava três semanas depois...Era difícil. Eu era uma rapariga com 21 anos e Godard tinha 30 anos. Sei que não me queria magoar mas acabou por fazê-lo. Nunca estava lá, nunca voltava e eu nunca sabia onde ele estava. Deu comigo em doida."

Depois de se divorciar de Godard, voltaria a casar três vezes.

A atriz fez no entanto filmes com muitos outros realizadores, como George Cukor, Fassbinder, Jacques Rivette ou Luchino Visconti.

Em 1973 passaria para detrás das câmaras, dirigindo "Vivre ensemble", uma história de amor que tem como pano de fundo o mundo do alcóol e das drogas. "Foi um retrato da minha juventude. Vi pessoas a morrer à minha volta". Em 2008 dirigiu um "road movie" musical, "Victoria", rodado no Canadá.

Além do mais, manteve uma carreira de cantora, em parceria, por exemplo, com Serge Gainsbourg. Um dos maiores sucessos foi "Sous le soleil exactement".

No Twitter, o ministro francês da Cultura, Franck Riester, já homenageou Anna Karina: "O seu olhar era o da Nouvelle Vague. Isso permanecerá para sempre. Especialmente em Godard, mas também em Rivette ou Visconti, Anna Karina brilhava; magnetizou o mundo inteiro. Hoje, o cinema francês está órfão. Perdeu uma das suas lendas."

Em Maio deste ano, a Cinemateca e o festival IndieLisboa organizaram-lhe uma "ambiciosa retrospetiva", tendo convidado a atriz para vir a Lisboa. Razões de saúde impediram-na à última hora de aparecer.

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