Exclusivo Lisboa. Palácio da Independência vai ter obras e abrir ao público

Câmara de Lisboa assinou um protocolo com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal para avançar com um investimento de 1,5 milhões de euros na requalificação do palácio que serviu de palco aos conjurados de 1640.

Lisboa é uma cidade cheia de palácios com séculos de história, mas dificilmente algum terá uma tão longa lista de funções e inquilinos como o Palácio da Independência. Também conhecido como Palácio Almada, o edifício do Largo de São Domingos, junto ao Rossio, já foi sede do Senado da Câmara, do Tribunal da Relação, foi morada de Almeida Garrett, já teve cafés, barbearia, depósito de pão e armazéns vários, recebeu o Liceu Francês, teve uma transformadora elétrica nos jardins, foi sede da Mocidade Portuguesa. A lista não é exaustiva e falta-lhe ainda o mais conhecido dos acontecimentos que decorreu dentro dos muros do edifício: as reuniões dos 40 conjurados que haveriam de ditar o fim da dinastia dos Filipes e a restauração da independência, em 1640, com a aclamação de D. João IV.

Dessas reuniões sabe-se que decorriam num pavilhão ao fundo do jardim, presumivelmente no mesmo sítio onde está hoje uma pequena sala com representações dos conjurados. Este será um dos espaços que ficará acessível ao público quando ficar concluída a requalificação do palácio, que teve agora um primeiro passo com a assinatura, na última semana de maio, de um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), entidade que ali está sediada desde 1861. O objetivo é que, dentro de dois a três anos, todo o piso térreo fique aberto ao público, com a criação de um espaço museológico dedicado ao 1.º de Dezembro e a outras datas marcantes da história do país. Também o jardim romântico abrirá as portas aos lisboetas, dando acesso à tal sala dos conjurados e a um troço da cerca fernandina que ali ficou preservado. A intenção final passa, aliás, por levar os visitantes a repetir os passos dos conjurados, que desciam clandestinamente pelas escadas da cerca (que a família Almada nunca desativou), nas traseiras do edifício, para chegarem às reuniões. Mas a abertura dessa entrada é um propósito a mais longo prazo, dado que a porta que em tempos existiu no topo da cerca fernandina está hoje tapada por um prédio.

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