Guerra das Estrelas. Uma força invencível

A Ascensão de Skywalker, que tem antestreia esta quarta-feira, assinala os 42 anos da estreia da saga "Star Wars", que começou com George Lucas em 1977. O filme é realizado por J.J. Abrams.

Em junho, o ator Mark Hamill publicou um tweet dizendo apenas: "My final episode." (o meu último episódio). Aconteça o que acontecer daqui para a frente, o próximo filme de Guerra da Estrelas, o episódio IX da saga, será também o fim de um ciclo: o ator despedir-se-á definitivamente de Luke Skywalker, o papel que interpretou pela primeira vez em 1977, quando tinha apenas 21 anos. Luke, que era o protagonista da trilogia original, filho de Darth Vader e soldado incansável na luta da Aliança Rebelde contra o Império Galáctico, acabou por morrer no episódio VIII, Os Últimos Jedi (2017), juntando-se assim à Força. Pelo que este regresso, além de inesperado, já não será como protagonista: "O facto de eu poder reaparecer deve-se apenas a esse aspeto peculiar da mitologia da Guerra das Estrelas, em que, quando se é um Jedi, pode sempre voltar-se como um fantasma da Força", explicou o ator. Numa das imagens reveladas do novo filme vemo-lo como um guerrilheiro veterano, de longas barbas, acompanhado pelo seu amigo R2-D2.

A Ascensão de Skywalker assinala os 42 anos da estreia da saga, que começou com George Lucas em 1977. O filme, que desta vez é realizado por J.J. Abrams (também foi ele o responsável pelo episódio VII), tem estreia marcada para 19 de dezembro. "A força reuniu-nos" é o mote para mais uma aventura. E faz sentido. Neste filme, além de Mark Hamill voltar como Luke Skywalker, também Billy Dee Williams volta a ser Lando Calrissian (ele tinha 43 anos quando interpretou pela primeira vez o papel, agora tem 82) e até assistiremos ao regresso de Carrie Fisher, como general Leia Organa, devido a "imagens nunca vistas gravadas para O Despertar da Força", anunciou a produção. A atriz morreu no ano seguinte, em dezembro de 2016, com 60 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Das poucas coisas que já sabemos sobre este novo filme, esta parece ser certa: o episódio IX tem 155 minutos, ou seja, duas horas e 35 minutos - é o filme mais longo da série. Tem mais três minutos do que Os Últimos Jedi. E tem mais 34 minutos do que o mais curto dos filmes, o episódio IV, Uma Nova Esperança (1977) - o primeiro produzido, que lançou toda a saga.

O que esperar deste novo episódio?

O primeiro trailer de Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker (é este o nome completo do filme) tem dois minutos e estreou-se no dia 21 de outubro, uma segunda-feira, no canal desportivo ESPN, no intervalo do jogo de futebol americano entre os New England Patriots e os New York Jets.

Este excerto mostra Poe Dameron (o ator Oscar Isaac) tentando reunir a Resistência após as várias baixas sofridas em Os Últimos Jedi, enquanto Rey (Daisy Ridley) enfrenta Kylo Ren (Adam Driver). "As pessoas continuam a dizer-me que me conhecem. Mas ninguém me conhece", diz Rey. "Mas eu conheço-te", responde Ren. O trailer inclui batalhas no que resta da mítica estação espacial Estrela da Morte e termina com Luke Skywalker a dizer "a força esteja contigo". Ao que uma segunda voz responde: "Sempre."

Sempre que se espera um novo filme de Guerra das Estrelas os fãs tentam antever qual vai ser o enredo. De vez em quando há falhas de segurança e imagens que "escapam" cá para fora. Mas nada como o que aconteceu a 23 de outubro: neste dia duas imagens daquilo que parecia ser o "grande final" de A Ascensão de Skywalker foram publicadas no Reddit e depois partilhadas na popular conta de YouTube World of Geekdom. Pouco depois, denunciadas pela Disney por violação de direitos de autor, as imagens foram retiradas de ambos os sites - o facto de a Disney ter agido só deixou alguns fãs a pensar que se trataria, de facto, de imagens reais.

Nessas imagens poderíamos ver o Imperador Palpatine, vestido com um casaco vermelho, sentado no seu gigantesco trono de Sith. E, em frente dele, segurando sabres de luz, estavam Rey e Ben Solo, prontos a enfrentar Sidious e a acabar com o Dark Side de uma vez por todas. Ou então não. Outra teoria possível é que Rey vai passar de vez para o Lado Negro da Força e que Ben Solo se lhe vai opor. Mas o contrário também é possível: talvez seja Ben Solo a passar para o Lado Negro.

Certo parece ser que o imperador, aparentemente morto por Darth Vader no Episódio VI - O Regresso de Jedi, vai mesmo regressar de alguma forma. Nem todos acreditam que estas imagens sejam verdadeiras e teremos de esperar até dezembro para que todas as dúvidas se dissipem mas no universo dos fãs de Star Wars espalhados pela internet a especulação não tem limites.

Uma galáxia muito, muito distante

Quando o primeiro filme de Star Wars se estreou em 1977 ninguém poderia adivinhar o sucesso que aí vinha. Temendo as estreias de vários blockbusters de verão, a 20th Century Fox antecipou a estreia para 25 de maio e colocou-o em apenas 32 salas em todo o país. O próprio George Lucas não estava muito convencido de que o filme iria sair-se bem. Nesse ano, o amigo Steven Spielberg ia também lançar Encontros Imediatos do Terceiro Grau e Lucas estava convencido de que esse iria ser o filme mais popular do ano. Mas Spielberg apostava mais em Star Wars. Lucas propôs-lhe então fazerem um acordo: cada um deles receberia 2,5% dos lucros do filme do outro. Spielberg fez bem em aceitar a proposta, pois ainda hoje ganha dinheiro à conta dessa insegurança inicial do amigo.

A verdade é que Star Wars acabou por ser não só um enorme sucesso para 20th Century Fox como o filme que viria a marcar a vida de George Lucas e de todos os atores que nele participaram, em particular Mark Hamill, Harrison Ford e Carrie Fisher, que estavam ainda no início da sua carreira. Star Wars seria relançado em 1981 com um subtítulo, Uma Nova Esperança, já depois do segundo filme, O Império Contra-Ataca (1980) ter chegado aos cinemas e ter sido apresentado como "Episódio V". Lucas explicaria mais tarde que a ideia de chamar ao primeiro filme "Episódio IV" já vinha de antes mas tinha sido então abandonada para não criar confusão nos espectadores.

Além de vários prémios (incluindo Óscares e Globos de Ouro - vencendo em categorias técnicas mas também com a música original de John Williams), esta primeira Guerra das Estrelas conquistou imediatamente fãs em todo o mundo. De então para cá, o título já deu origem a livros, especiais de televisão, comics e videojogos, além de toda uma parafernália de merchandising que inclui máscaras das várias personagens, bonecos, réplicas de naves e tudo o mais que se possa imaginar.

Isto já para não falar do parque temático inaugurado recentemente e integrado na Disneyland Florida, EUA, com o nome Star Wars: Galaxy"s Edge. Isto será o mais próximo possível que os fãs têm da viagem para uma galáxia muito, muito distante: incluindo a experiência de se sentarem no cockpit da nave Millennium Falcon e participarem numa arriscada missão.

Vem aí mais um êxito de bilheteira

A corrida aos bilhetes para o novo filme já começou. De acordo com os sites especializados, a venda antecipada de ingressos para a estreia está a decorrer ao nível de Rogue One: Uma História de Star Wars e Os Últimos Jedi.

Quase todos os últimos filmes do universo Star Wars têm tido um enorme sucesso (a única exceção sendo Han Solo: Uma História de Star Wars, que ficou abaixo dos valores esperados). Em 2015, O Despertar da Força teve o melhor fim de semana de abertura de sempre (na altura) com 248 milhões de dólares de receitas, terminando a sua carreira com um recorde de 936,7 milhões de dólares de bilheteira na América do Norte (e mais de dois mil milhões de receitas globais) - foi a melhor performance de sempre para um filme da saga.

O maior desafio deste episódio será reconquistar a base de fãs mais velha, que não gostou muito dos últimos dois filmes (Os Últimos Jedi, sobretudo, teve algumas reações menos positivas). De uma maneira geral, os primeiros filmes de cada trilogia de Star Wars são os mais vistos, havendo uma quebra significativa no segundo episódio para depois, com todo o falatório causado pela possibilidade de um grande final, o terceiro filme voltar a fazer bons números.

O maior desafio deste episódio será reconquistar a base de fãs mais velha, que não gostou muito dos últimos dois filmes

No box office, A Ascensão de Skywalker concorre com Vingadores: Endgame (da Marvel), que é o maior sucesso global de 2019, e irá bater-se diretamente com Jumanji: O Nível Seguinte, que tem estreia marcada para 12 de dezembro.

Em Portugal, A Ascensão de Skywalker tem sessões de antestreia no dia 18 de dezembro em 21 salas da NOS Audiovisuais em todo o país. Para esse mesmo dia, a UCI Cinemas tem planeada uma maratona de filmes Star Wars. No dia seguinte, o filme estreia-se noutras salas. A Cinema City, por exemplo, está a vender packs especiais em que, além do bilhete, os fãs podem escolher um poster de um dos filmes da saga. Ainda há muitos bilhetes disponíveis, mas é provável que a procura aumente à medida que nos aproximarmos da grande data.

Novo canal e a série The Mandalorian

O episódio nove de Guerra das Estrelas é uma continuação do último filme, Os Últimos Jedi, e completa a trilogia produzida pela Disney, que tinha começado com O Despertar da Força (2015). A Disney comprou a Lucasfilm em 2012 por cinco mil milhões de dólares. Desde então, os dois filmes da saga Star Wars e os dois spinoffs, Rogue One: Uma História de Star Wars (2016) e Han Solo: Uma História de Star Wars (2018), renderam à empresa mais de 4,5 mil milhões só em receitas de bilheteira.

Mas o negócio de Star Wars estende-se muito além do cinema. Os filmes são um dos produtos mais importantes do serviço de Disney+ , lançado já a 12 de novembro (para já apenas na América do Norte e na Oceânia) e terá disponível toda a saga, incluindo a trilogia original e a prequela.

Isto já seria importante. Mas há mais. Logo no primeiro dia, o Disney+ vai estreou The Mandalorian, série que se passa no mundo de Star Wars sobre as aventuras de um grupo de caçadores de recompensas. Os Mandalorians são habitantes do planeta Mandalore que surgem no filme O Império Contra-Ataca, de 1980. A série é em grande parte inspirada na personagem de Boba Fett, que surge nesse filme, e do seu pai, Jango (que só apareceu no filme de 2002, O Ataque dos Clones). A ação passa-se entre O Regresso de Jedi e O Despertar da Força, ou seja, depois da queda do império.

Criada por Jon Favreau, a série de oito episódios apresenta-nos uma personagem nova, o Mandalorian do título, interpretada por Pedro Pascal (também conhecido como Oberyn Martell, de A Guerra dos Tronos). O ator descreveu esta personagem como "um pistoleiro misterioso e solitário nos confins da galáxia". Gina Carano e o veterano Nick Nolte, assim como Taika Waititi, Giancarlo Esposito e Carl Weathers são outros dos nomes do elenco. O realizador e ator alemão Werner Herzog também participa na série com um papel de vilão.

The Mandalorian é um dos projetos mais ambiciosos do canal Disney + e terá custado cerca de cem milhões de dólares, o que significa que cada episódio custou aproximadamente 12,5 milhões de dólares - o que a coloca em pé de igualdade com a superprodução A Guerra dos Tronos. Resta saber se irá conseguir conquistar tantos fãs. Na Europa, o canal deverá chegar, através da internet, primeiro à Holanda e depois ao Reino Unido e, a partir de março do próximo ano, a outros países.

De qualquer forma, com A Ascensão de Skywalker, a Disney fecha em grande este ano de 2019, no qual já teve Vingadores: Endgame e O Rei Leão, que são, de longe, os dois campeões do box office a nível mundial.

E a saga continua

Em maio deste ano, a Disney anunciou que tencionava estrear mais três novos filmes da saga Star Wars até 2026. A nova trilogia inicia-se em 2022 e depois haverá um segundo filme em 2024 e o terceiro tem estreia prevista para 2026, em princípio, e de acordo com a tradição, sempre antes do Natal.

A ideia da empresa é alternar os lançamentos de Star Wars com os de Avatar, agendados para o mesmo período em 2021, 2023 e 2025.

Até agora não se sabe muito mais sobre estes projetos, mas é provável que, depois de "a saga finalmente terminar" (como se diz no trailer de A Ascensão de Skywalker), os novos filmes iniciem uma nova narrativa. Era nesses filmes que estavam a trabalhar os produtores e argumentistas David Benioff e D.B. Weiss, a dupla de A Guerra dos Tronos, até esta semana. Na terça-feira, Benioff e Weiss anunciaram que iram retirar-se depois de assinarem um contrato com a Netflix e perceberem que não iriam ter tempo para trabalhar em ambos os projetos. "Adoramos Star Wars. Quando George Lucas criou a saga, criou-nos a nós também. Ter a oportunidade de conversar com ele e com a atual equipa de Star Wars foi uma emoção única, e ficaremos para sempre em dívida para com a saga que mudou tudo", disseram os argumentistas num comunicado, reconhecendo o quanto foram influenciados pelo universo de Guerra das Estrelas.

(Texto publicado originalmente a 2 de novembro de 2019 e atualizado a 18 de dezembro)

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