Festival de Cannes resiste à pandemia

O maior festival de cinema do mundo não se realizou em 2020. Agora, está tudo preparado para que a edição de Cannes 2021 seja uma realidade - e não faltam as previsões de filmes marcantes para a seleção oficial.

Em 2020, o Festival de Cannes não aconteceu. É certo que os responsáveis pelo certame quiseram deixar a sua marca num ano difícil e, no mês de outubro, durante três dias, organizaram um evento a que chamaram Spécial Cannes. Foram apresentadas quatro das longas-metragens selecionadas e também as curtas. Não foi um festival, mas um gesto simbólico: "Estamos aqui, resistimos à pandemia..."

A organização - e, em boa verdade, os cinéfilos de todo o mundo - desejam que 2021 seja um ano de relançamento. O mínimo que se pode dizer é que está tudo a andar para que a 74.ª edição do Festival de Cannes possa ser uma realidade... diferida. Assim, tendo em conta as medidas sanitárias, foram abandonadas as tradicionais datas de maio: 6 de julho será o dia oficial de abertura, com a cerimónia de entrega da Palma de Ouro marcada para o dia 17.

As dúvidas logísticas são muitas. Como será organizada a frequência das salas? Na principal dessas salas (Lumière), que critérios poderão definir a ocupação de mais de dois mil lugares? Isto sem esquecer os espaços públicos: como gerir as multidões em frente ao Palácio dos Festivais, durante horas à espera dos efémeros eventos da passadeira vermelha?

Sinal revelador da importância artística, mediática e económica de Cannes é o facto de as inscrições estarem oficialmente a decorrer (desde o dia 15), quer para a imprensa quer para o Mercado do Filme. O mercado terá mesmo uma "antecipação" virtual, com uma edição online, Pre-Cannes Screenings, a acontecer entre 25 e 28 de maio. Na prática, isto faz supor que, pelo menos, alguns dos títulos da seleção oficial poderão começar a ser negociados com distribuidores de todo o mundo cerca de um mês e meio antes do certame propriamente dito.

Uma coisa é certa: a dinâmica do festival já colocou na atualidade uma lista de títulos que observadores do planeta cinematográfico consideram "obrigatórios" em Cannes. E convenhamos que a lista não é banal, incluindo alguns galardoados com a Palma de Ouro (Nanni Moretti, Terrence Malick). É mesmo muito provável que possam ser escolhidos filmes que aguardaram um ano pela honra de serem vistos em Cannes... O período de candidaturas de longas-metragens termina a 26 de abril, estando prevista a divulgação da seleção oficial para os primeiros dias de junho.

Certo e seguro é o nome do presidente do júri: Spike Lee. O cineasta de Da 5 Bloods - Irmãos de Armas (Netflix), distinguido em Cannes na edição de 2018, com BlacKkKlansman: O Infiltrado (Grande Prémio), já confirmou a aceitação do convite que não se concretizou em 2020. A sua renovada disponibilidade para desempenhar tal tarefa está registada num vídeo no site do festival: num breve diálogo com Thierry Frémaux, delegado-geral do festival, Spike Lee mostra-se encantado por regressar à Côte d"Azur, lembrando que a sua "entrada no mundo do cinema" aconteceu em Cannes, em 1986, com a passagem da sua primeira longa-metragem, She"s Gotta Have It/Os Bons Amantes. Como ele diz, vai ser "magnifique"!

dnot@dn.pt

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