Estátua de Colombo não espera pelo navegador e sai de cena dois dias antes das "festas"

Esta segunda-feira faz 528 anos da chegada de Colombo à América. A Cidade do México retirou 48 horas antes a estátua do navegador com a desculpa de que precisa ser restaurada.

Se em julho corria na internet um abaixo-assinado dirigido à autarquia da capital mexicana para retirar a estátua de Cristóvão Colombo de uma praça da cidade com o pretexto de que era "uma homenagem ao colonialismo", agora que o pedido foi inesperadamente satisfeito surgiu no sábado nova petição no sentido de se realizar uma concentração na praça agora sem a estátua para festejar a sua retirada.

A coincidência entre a data oficial da chegada de Colombo à América, 12 de outubro (de 1492) e a retirada da estátua dois dias antes da mesma data é, no entanto, questionada por setores da população que não acreditam na justificação oficial: o conjunto escultórico vai ser submetido a uma restauração em profundidade.

Além de que a retirada do monumento foi realizada durante a madrugada, situação que levou a muitos comentários nas redes sociais devido à coincidência e à forma escondida como aconteceu.

Segundo a imprensa mexicana, as comemorações deste género dividem as populações, porque não existe razão para recordar a chegada ao continente americano de povos invasores e colonizadores. Por outro lado, recorda que no próximo ano será celebrado no México os 500 anos da chegada de Cortés ao país.

Esta nova data acarreta uma situação polémica que já fez com que o presidente mexicano, López Obrador, tenha solicitado insistentemente à monarquia espanhola e à Igreja Católica para pedir perdão pelos efeitos da espada e da cruz nos povos desse continente.

Deitar abaixo estátuas tem sido recentemente uma prática frequente na América e Colombo um dos alvos mais constantes. No verão foi derrubada uma sua estátua nos Estados Unidos, em Baltimore. No entanto, no México a pintura e de várias estátuas tem sido uma ação frequente, designadamente na capital.

O Governo mexicano, contudo, não critica estas atitudes, preferindo considerá-las "um reflexo de uma sociedade viva que reclama para o seu tempo outras representações culturais e simbólicas." Uma atitude que, acrescenta, "a posição do antigo governante espanhol, o ditador Franco, empolou ao exaltar as conquistas espanholas e a superioridade racial dos invasores".

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