Ensino de jazz. O lado B da cantautora Joana Espadinha

Quatro anos a viver e a estudar música em Amesterdão confirmaram-lhe que a música seria a sua área profissional. Joana Espadinha cara e voz conhecida da música pop portuguesa dos últimos anos tem um lado B, menos conhecido do público, e também ele ligado à música: há 10 anos que é professora de jazz na Universidade de Évora e no Hot Club de Lisboa.

Tudo começou quando frequentava a faculdade de Direito mas "não estava muito feliz". Percebeu que não era a sua vocação e começou a ter aulas de música, que mais tarde a levaram aos Países Baixos. Depois veio o passo seguinte: dar aulas de jazz. "Não era algo que pensasse fazer mas é quase natural e vem com a formação em jazz. Depois percebi que gosto muito de ensinar porque recebemos muito ao fazê-lo".

A sua profissão e formação não a impediram de se lançar num campo musical diferente, a música pop. "Sim, houve de facto uma viragem e foi sobretudo quando estive a estudar em Amesterdão quando comecei a escrever música inspirada por uma professora de pop".

Quando começou a cantar ainda deu arranjos jazzísticos e apontamentos de improviso ao que escrevia mas logo percebeu que estava "a estragar as minhas próprias canções. Eram pop não jazz". E daí passou a ser natural apresentar-se como interprete pop - o jazz não está esquecido de todo, por vezes ainda faz participações com a orquestra do Hot Club.

Até os seus alunos lhe dão feedback positivo da sua pop, "ou pelo menos os que não gostam não dizem nada", explica a sorrir. "Acredito que não nos devemos limitar numa só área e sobretudo na música, digo-lhes [aos alunos] que quanto mais diversificarem, quer na composição, nos arranjos ou na produção, mais opções vão ter no futuro mas, sobretudo, que nunca percam a paixão pela música que é o mais importante.

Joana, que também escreve para outras artistas, como Carminho ou Cláudia Pascoal, entre outras, garante que as ferramentas que lhe deu o jazz facilitam o processo

Nas plataformas de streaming já é possível ouvir dois singles do novo trabalho, pop, claro, da cantautora que irá sair em setembro: Ninguém nos Vai Tirar o Sol (que também dá nome ao disco) e Mau Feitio. Um trabalho em que foi escrito quase todo em confinamento e que gravou grávida de oito meses do primeiro filho, "o que tornou tudo muito especial", conta. Canções agridoces, diz, "com um lado melancólico mas com um lado esperançoso, quase de terapia".

filipe.gil@dn.pt

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