Cristina Ferreira: vontade de aprender, "chispa", estrelinha e muita criatividade

Hoje, é a maior e mais aguardada estrela da televisão nacional. Em vésperas do regresso à casa-mãe (dia 1 de setembro), na TVI, profissionais recordam os primeiros tempos de Cristina Ferreira na televisão.

Protagonista da mais avultada transferência televisiva nacional e da prometida maior batalha judicial em torno do pequeno ecrã, Cristina Ferreira regressa oficialmente à TVI, agora como diretora de Entretenimento e Ficção e futura acionista da Media Capital, a 1 de setembro.

E se em agosto de 2018 saiu sem se despedir de Queluz de Baixo para ir para a SIC, agora é aguardada e Manuel Luís Goucha - coapresentador com Cristina durante 14 anos nas emissões matutinas de Você na TV! - é um dos maiores entusiastas. Espera-se, aliás, que no dia de arranque oficial de funções, na terça-feira, a apresentadora passe pela emissão de day time para cumprimentar o público. Um 'olá' que se poderá estender a outros pontos da emissão de Queluz de Baixo ao longo desta primeira semana de retorno à, como lhe chamou Cristina, "casa-mãe".

Neste regresso às origens, é esperado um cumprimento efusivo, como lhe é característico, mas bem diferente daquele a que terá assistido Dina Aguiar, quando recebeu na sua redação do programa Regiões, na RTP1 [hoje Portugal em Direto], uma estagiária chamada Cristina Ferreira, em maio de 2000.

"Quando as pessoas estão a começar são mais contidas. A maneira dela ser seria mais calma e, numa redação maior, não se expressaria da mesma maneira", analisa a jornalista e pivô da estação pública ao DN. "Talvez hoje seja mais efusiva", antecipa, sem detalhar.

Cristina era, à data, uma de cerca de dez estagiárias de cursos superiores com os quais a RTP tinha parcerias. E, revelou a apresentadora em tempos, enquanto a maioria dos colegas escolheu ir para a redação dos principais jornais, ela preferiu integrar a equipa de Dina Aguiar. O resultado era o esperado: "Não me apetecia ir para o Telejornal. No Regiões, todos os dias saía em reportagem, foi muito marcante", recordou Cristina Ferreira quando recebeu Diana Aguiar no seu programa matutino, ainda na SIC. Por aqui, reexibiu a sua primeira reportagem, posta no ar a 15 de maio de 2000, sobre as Primeiras Jornadas de Prevenção Rodoviária. Uma peça em que Cristina surge a segurar o microfone e na qual mal se vê, a então estagiária a jornalista dava voz a crianças que aprendiam a andar na estrada com segurança.

Diluído no tempo e por múltiplas equipas que lhe passaram pelas mãos, Dina Aguiar lembra-se de Cristina "com uma vontade muito grande de aprender e com piada". O estágio de três meses terminou e a pivô da RTP1 crê que o Regiões "foi uma boa experiência para a Cristina". Se ficou ou não, "quando as pessoas se destacavam, acabavam por ficar na empresa, mas só se existissem vagas, o que não era muito comum até porque existiam estas parcerias com as universidades".

Em menos de dois anos, Cristina Ferreira voltaria a surgir em antena, mas a imagem emerge desfocada: os antigos colegas falam num especial da TVI "gravado nos Jardins do Casino do Estoril" e também lhe referem a passagem no matutino Olá Portugal, já então conduzido por Goucha e produzido por Teresa Guilherme, que está agora de volta, a partir de 13 de setembro ao palco maior dos reality shows, o Big Brother, a convite da própria Cristina Ferreira.

Mas voltando atrás, a janeiro de 2003, a então repórter tornava-se numa das 50 primeiras alunas do curso de Produtores Criativos e Apresentadores de TV, da extinta Universidade Independente

"Na formação, a Cristina destacava-se porque era muito gaiteira, muito viva, tinha uma chispa incrível, era facilmente identificável, para além de ser muito despachada", recordou, em tempos, Júlia Pinheiro, que foi coordenadora pedagógica do referido curso. Hoje, a apresentadora das tardes da SIC prefere não fazer entrar em detalhes, mas já por várias vezes, ao longo de anos, elogiou a "enorme capacidade de resolver em direto" da sua ex-aluna e agora mulher forte da TVI.

Um outro elemento daquela pós-graduação - que abriria leque para a informação ou entretenimento - diz agora ao DN que "nos exercícios de diretos, de entrevista, leitura de teleponto, pressupondo todas as várias armadilhas possíveis e que eram necessárias solucionar quando se está num programa de televisão, a Cristina tinha um excelente reporte de direto, um desempenho e uma performance como repórter nos quais era particularmente eficaz".

Portanto, se em finais de janeiro de 2003 Cristina Ferreira se desdobrava em exercícios numa pós-graduação, em outubro desse mesmo ano parecia estar a entrar na TVI pela primeira vez, mas agora por uma nova porta: estava a acordar às quatro da madrugada para integrar o recém-estreado formato Diário das Manhãs, na TVI, com Júlia Pinheiro e Henrique Garcia. E era como repórter que Cristina Ferreira surgia, em direto a partir dos cafés, a entrevistar transeuntes sobre temas variados e atualidade, sempre em diretos, entre as sete e meia e as dez da manhã.

"A Cristina chegou à TVI num DVD", recordou, em tempos, Júlia Pinheiro. Nessa ocasião, a hoje apresentadora de Paço D'Arcos, explicou: "Tínhamos de escolher pessoas para o Diário da Manhã e a que ficasse poderia saltar para outros formatos como repórter, os extras dos Big Brother. No fim do curso, incluí-a logo no lote de pessoas para avaliação na TVI por essa capacidade de se embaraçar e não se atrapalhar com nada, uma empatia muito grande, uma inteligência emocional que estava já visível e que depois aprimorou."

Mas há quem fale em fator sorte. Um dos elementos deste processo de seleção não exclui a "estrelinha", como lhe chama, de Cristina. "Eram dois DVDs com candidatos, mas no dela só ela brilhava de entre todos os outros e notava-se muito. Não sei se chegámos a ver o segundo sequer e, nisso, ela teve a sorte de ser a única a dar nas vistas", desfia.

Estava escolhida a repórter das manhãs e, tempos depois, um dos rostos do Extra do Big Brother, trabalhando ao lado de Paula Castelar, José Carlos Araújo e José Carlos Santos. Entre o trabalho em realities foi umas das principais realidades de Cristina Ferreira e as madrugadas, ela dava o pontapé de saída ao lado de Manuel Luís Goucha, a 13 de setembro de 2004. Em pouco tempo, a dupla conquistaria a liderança no horário, batendo a, até ali, inabalável vitória da SIC nas manhãs. Uma conquista só interrompida pela própria Cristina, quando saiu da TVI e devolveu o pódio a Paço d'Arcos.

Olhando para os primeiros tempos de Cristina em Queluz de Baixo, local onde regressa poderosa na próxima semana, quem com ela trabalhou atrás das câmaras recorda-a "como uma das pessoas mais criativas, esforçadas e preocupadas em fazer as coisas de forma diferente e mais arrojada". "Até as reportagens mais normais partiam sempre de um ponto de vista menos óbvio. Preocupava-se sempre em arranjar outra vertente, outro ângulo de abordagem das coisas".

E se Cristina começou na TVI a recibos verdes e fez um pouco de tudo, agora, esta terça-feira, 1 de setembro, a outrora repórter as madrugadas regressa a visitar o público das manhãs, mas agora como a milionária diretora e acionista da casa onde cresceu.

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