Contra as fake news na medicina

O DN publica todos os dias o excerto de um livro recém lançado no mercado para ajudar às leituras nestes dias difíceis em casa. Fake News na Medicina, de André Casado (Editora Matéria-Prima) é esclarecedor para explicar o engano nos tempos que vivemos. Veja os outros nesta barra.

Introdução - Sabe melhor com Ciência

Uma das principais vantagens do nosso antepassado direto Homo sapiens na competição pela sobrevivência, em relação aos outros
primatas de há 650 000 anos, era a de saber estabelecer associações mais sofisticadas entre fenómenos. A morte do seu companheiro depois de provar as "bagas amarelas de uma planta espinhosa" permitia marcá -las como impróprias para consumo alimentar. Mesmo que a causa de morte tivesse sido outra - uma pneumonia ou um ferimento infetado -, a mera relação temporal entre a refeição de bagas e a morte era informação suficiente para concluir que as bagas deviam ser evitadas. Em casos de vida ou morte é preferível pecar pelo excesso de precaução.

Os animais tendem a minimizar as perdas e os nossos antepassados refinaram as estratégias para evitar riscos. Por isso, e ainda hoje, temos aversão a situações em que percecionamos total ausência de controlo e tememos o desconhecido se antevemos resultados potencialmente negativos. A fuga ao risco tornou -se possível porque esses nossos antepassados desenvolveram um cérebro particularmente apto à deteção de padrões e ao estabelecimento de associações causais na observação da Natureza. É certo que uma grande parte dessas associações de causalidade eram incorretas, mas muitas outras salvaram vidas e isso representava uma esmagadora vantagem relativamente a espécies com intuição menos desenvolvida.

Para além de terem maior capacidade intelectual para encontrar associações entre fenómenos do que qualquer outro ser vivo, o desenvolvimento da linguagem permitiu-lhes transmitir, com inaudita eficiência, os vastos volumes de conhecimento que iam obtendo a partir das suas observações. Desta maneira, a aprendizagem individual deu lugar à cultura que podia ser transmitida verticalmente, ao longo das gerações, ultrapassando a necessidade de constante repetição da experiência. Cada geração construía conhecimento inferido com base na observação dos fenómenos naturais e adicionava-o à herança cultural recebida das gerações anteriores. Gerava informação e criou modos de a transmitir cada vez mais eficientes: a linguagem falada e escrita, a música e as artes pictóricas foram formas puras de comunicação antes de serem formas de expressão artística.

Um problema posterior, na escala evolutiva da inteligência humana, foi o de filtrar o que era conhecimento válido dentre grandes volumes de observações incorretas, assunções falsas e empirismo superficial que iam deformando o saber acumulado. Observar e relacionar eventos na Natureza não basta para gerar conhecimento. Acumulamos observações, talvez hipóteses, mas não conhecimento. Não duvidamos que muitos dos fenómenos que observamos estão correlacionados, mas daí a poder inferir -se uma relação de causalidade entre eles vai um longo caminho de prova.

Do empirismo à Ciência

A solução primitiva para a geração de conhecimento era a atribuição, aos fenómenos desconhecidos, de explicações válidas para outros mais acessíveis à compreensão, por forma a preencher as lacunas incómodas da ignorância com remendos mais ou menos verosímeis. As brechas nesse tecido esgarçado de saber foram sendo preenchidas com lendários agentes metafísicos cuja ação, dependente da força da crença e não da prova da realidade, permitissem ordenar o Mundo na previsibilidade a que aspiramos.

Na ausência de explicação para o reaparecimento do Sol todas as manhãs, os nossos antepassados criaram a narrativa de que uma força divina infalível o faria renascer para afastar as trevas da noite. A própria expressão "nascer do Sol" evoca ainda a transposição da ideia de parto do mundo biológico para a natureza inanimada. Tornando-a "animada" de entidades divinas (a Terra como mãe e, como pai, um outro agente natural, variando, consoante as culturas, entre o vento, a chuva, um animal sagrado, ...) completava -se a metáfora do parto matinal do Sol. Durante milénios, o medo da noite sossegou com essa mitológica garantia da alvorada.

O empirismo e a crença mitológica levaram -nos longe no caminho evolutivo, mas também perpetuaram interpretações erradas dos fenómenos naturais. Se nos serviram no dia a dia básico de caça e recoleção de alimentos, afastavam -nos do conhecimento real das leis naturais cujo conhecimento pôde trazer -nos para as aldeias e cidades, dominar a agricultura, explorar os mares e aproveitar os recursos naturais para nossa vantagem. Só muito recentemente (talvez há menos de 5 mil anos) adquirimos um instrumento suficientemente poderoso para por à prova as nossas crenças acerca da realidade e muito melhor que o nosso puro instinto detetor de padrões. Veio a chamar -se Ciência e é o filtro que separa a conclusão intuitiva (o plausível) do conhecimento analítico (o plausível que foi fundamentado e resistiu à experimentação).

A inteligência primitiva é a ignorância moderna

Abominamos a incerteza, desejamos a previsibilidade. Mais do que isso, os desejos de segurança e previsibilidade fazem com que
aceitemos de bom grado informação que confirme aquilo em que pretendemos acreditar. Sempre afastámos a incerteza da melhor forma que conseguimos, mesmo quando era necessário criar narrativas imaginárias para impor um sentido ao mundo observado. Na ausência das armas da Ciência (o raciocínio lógico, a experimentação e a exclusão sistemática de hipóteses) persistiríamos nesse costume milenar.

Milénios transcorridos, continuamos a viver a maior parte da vida com o raciocínio em "modo primitivo". Não se ofenda, trata-se de um instinto natural em todos nós! Nos seus estudos sobre o processo de decisão, os psicólogos Keith Stanovich e Richard West descreveram dois sistemas de raciocínio a que chamaram, sem grande criatividade, Sistema 1 e Sistema 2.

O primeiro resolve problemas, por vezes complexos, mesmo com informação incompleta e recorrendo a regras básicas de raciocínio - heurísticas - imediatistas, automáticas, instintivas e, frequentemente, falaciosas. Para lidar com informação estatística, ponderar a diferença de probabilidade entre hipóteses ou explicar relações complexas, de acordo com as regras da lógica formal, precisamos de desenvolver considerável trabalho mental com recurso aos instrumentos cognitivos aprendidos do Sistema 2.

O Sistema 1 responde de forma automática, simples e rápida.

O Sistema 2 recorre a raciocínio laborioso e demorado.

A desvantagem do Sistema 1 de pensamento é a aceitação de meras coincidências como associações causais com a sua elevada taxa de falsos positivos (i.e., encontrar uma relação/causa/resultado onde eles não existem). Por outras palavras, sabendo que todos os efeitos têm uma causa, falhamos sistematicamente ao saltar para a conclusão.

Não quero com isto afirmar que as conclusões rápidas formadas com base em informação limitada pelo Sistema 1 de decisão nos sejam inúteis. Na realidade, servem -nos muitíssimo bem na maior parte das situações do dia a dia. São aquelas que, na iminência do perigo, nos podem salvar a vida. No entanto, perante dados mais complexos ou contraditórios, a elaboração mental, recorrendo ao Sistema 2, toma controlo e o seu processo é muito menos eficiente, requer pensamento abstrato e complexo, cálculo e outras atividades mentais laboriosas relativamente recentes para o intelecto humano.

Mais dados, pior decisão


A disponibilidade de maior volume de dados deveria, pelo menos em teoria, facilitar as nossas escolhas. Relembrando que o cérebro está formatado para decisões intuitivas, e que somos particularmente maus a prever cenários futuros graças às nossas amadas heurísticas e enviesamentos de julgamento, percebemos porque é que isso não sucede. Mais opções implicam mais trabalho intelectual de decisão e ponderação de mais cenários futuros alternativos decorrentes de cada uma das decisões em apreço - decidir na abundância de opções pode tornar-se demorado e trazer arrependimento. Tal não significa que as circunstâncias atuais nos forcem a escolhas erradas, mas que as facilitam, disso não há qualquer dúvida.

Estudos realizados em licenciados, alunos e fact‐checkers profissionais - indivíduos especialistas em deteção de fake news - mostraram que apenas os "fact-checkers" conseguiram identificar conteúdos manipulados e falsos com exatidão. O que é mais impressionante nestes resultados é que se verificaram mesmo em doutorados e alunos da Universidade de Stanford, uma das mais prestigiadas do mundo.

É importante reconhecer estas limitações e tentar combatê-las. Sobretudo perceber que estamos longe de estar imunes à aldrabice digital, sem sentimentos de inferioridade. Os professores de Stanford são pelo menos tão fracos como nós.

Não terceira parte há bons conselhos neste domínio.

A máquina de fabricar ruído

Creio que uma das maiores hecatombes para a qualidade da informação, como também explico no próximo capítulo, foi a invenção e universalização da Internet e das redes sociais. Não vou tão longe como Umberto Eco, que defendia que as redes sociais só acrescentavam à ignorância humana por dar a qualquer imbecil o protagonismo que dantes estava reservado aos sábios.

Não se trata de ter uma perspetiva elitista ou oligárquica da distribuição da sabedoria. Quem ama o conhecimento sabe que é a sua difusão que o expande e mantém vivo. Certamente não pode ser ignorado, também, que os meios digitais constituem a mais poderosa ferramenta jamais criada para esse efeito difusor. Este livro (e muita da minha aprendizagem nos últimos 20 anos), deve mais aos recursos da Internet do que aos da ciência impressa e a outros suportes clássicos. Sem eles julgo mesmo que não seria possível compilar o volume de literatura científica que lhe deu origem.

O que Umberto Eco apontava na sua crítica era o risco da diluição da informação válida - do conhecimento - num mar de ruído gerado pela difusão de crenças, dados irrelevantes e, o pior de tudo, falsidades acidentais ou deliberadas. Neste sentido, o papel do perito está também em risco numa sociedade em que a base de todo o conhecimento é, para as massas, aquele que se obtém online.

A disponibilidade de dados gerou a crença de que, tendo acesso à mesma informação, todos podem alcançar o mesmo nível de conhecimento de um especialista, o que é manifestamente falso. Nasceu uma crença no igualitarismo do saber mediante a qual muitos creem que, tendo acesso à mesma informação, estão tão aptos a classificarem -se como especialistas num tema como aqueles que dedicam a vida ao seu estudo e desenvolvimento. Esta ilusão ignora facto de os instrumentos cognitivos do senso comum não serem suficientes, perante os mesmos dados, para chegar às conclusões a que chegamos quando os submetemos à crítica científica especializada.

Quantos peritos cabem numa rede social?

Ninguém duvida que existem enormes vantagens em desfazer a assimetria de informação entre os possuidores e utilizadores do saber. Os segundos não podem ser súbditos passivos à mercê da oligarquia dos primeiros. Numa perspetiva muito pessoal, reconheço enormes vantagens em acompanhar doentes bem informados. Infelizmente, a derrocada da assimetria informacional empurrou -nos para um nivelamento global da informação e para a falsa equivalência de conhecimento entre o perito e o leigo. A generalização de acesso ao Google, Wikipedia e redes sociais concede a muitos a ilusão de que o conhecimento se universalizou uniformemente. Tendo acesso às mesmas fontes, todos são igualmente especialistas se dedicarem tempo suficiente à leitura de blogues e fóruns; que podem formar opiniões de igual valor às de quem dedicou a vida de estudo e trabalho a uma área de perícia.

O papel do perito está em causa, entre outras coisas, por se achar que a especialização depende do acesso à informação e não ao facto de se ter efetivamente treinado para consultar, interpretar, aprender e pôr em prática a informação, de se ter treinado e sido avaliado e certificado para a prática e de ter experiência contínua no ramo de perícia em causa. Portanto, quem não demonstrar a habilidade especial para um determinado assunto resultante do conhecimento e experiência, não é "perito" nesse assunto. Não o é por nenhuma definição do termo perito.

Com isto não pretendo afirmar que o trabalho dos cientistas não deve ser alvo de escrutínio público exigente. A primeira escrutinadora deve mesmo ser a comunidade científica, à qual também cabe o papel de divulgação e educação para o escrutínio pelo público. Naturalmente que todos devem exigir que o escrutínio da Ciência seja conduzido com os instrumentos da racionalidade e rigorosamente isento. O que temos visto nos últimos anos mostra o perigo da Ciência manipulada: filão de informação distorcida e imitada para dar credibilidade a esquemas fraudulentos de pseudociência, para fins comerciais, ideológicos e políticos.

Apesar de os cientistas não estarem sempre isentos de culpa na sua própria descredibilização, a responsabilidade principal toca aos muitos agentes externos ao processo científico que o manipulam para seu benefício comercial, político ou ideológico.

"Pseudocientistas": os pistoleiros do Texas

Um pistoleiro do Texas imaginou um plano engenhoso para provar a sua "extraordinária" pontaria. Colocou -se em frente à parede de um celeiro e disparou mil tiros contra ela de forma aleatória. Ora, tendo os mil tiros sido disparados de forma verdadeiramente aleatória, a distribuição dos buracos de balas não era uniforme. Nalgumas zonas da parede concentravam -se mais buracos de balas e outras nem tinham sido atingidas. O resultado certamente não seria impressionante, não tivesse o nosso pistoleiro - cowboy manhoso - desenhado alvos em torno das zonas com mais tiros concentrados, dando a ideia de que aqueles alvos, desenhados a posteriori, era para onde estava a apontar desde o início.

Este tipo de raciocínio falacioso é um dos principais erros (in)voluntários envolvidos na génese de muita da pseudociência moderna. Imagine os milhões de crianças que, em todo o Mundo, são vacinadas anualmente contra o sarampo. Agora pense na quantidade de crianças a quem, por volta dessa mesma idade, é diagnosticada uma perturbação do espetro do autismo. Se escolher seletivamente apenas os casos em que a vacina foi administrada pouco antes de os primeiros sintomas da doença serem notados, encontrará milhares de casos com essa coincidência temporal. Haverá aqui algum padrão? Sim! O padrão que você criou a posteriori e que, tal como no caso do atirador texano, deixa de fora os milhões de crianças vacinadas que tiveram desenvolvimento normal.

Recorrendo a esta forma retrospetiva de busca de coincidências em amostras tão grandes, facilmente poderíamos relacionar quase tudo com o diagnóstico de autismo. Certamente que, em milhares de crianças que recebem este diagnóstico anualmente, haverá muitas coisas em comum (sendo a vacinação apenas uma delas).

Outro exemplo são as distribuições de incidência de cancro. Num mapa a distribuição de casos de cancro não é homogénea. Há sempre zonas onde se concentram casos de determinado tipo de tumores e outras onde eles são raros. O que se passa, então, nesses "pontos quentes" que aumenta a incidência de cancro?

Poderá ser um problema da rede publica de águas? Serão os cabos elétricos de alta -tensão? Na falta de resposta clara muitos creem que há algo que as autoridades já notaram e desejam ocultar! Sendo o cancro uma doença multifatorial, é altamente improvável que um único fator responda por toda a incidência de cancro numa região. Acreditar que, por todos os doentes beberem da mesma água, é ela a causa do problema é o mesmo que desenhar o alvo em torno dos tiros. Aceitamos uma explicação fazendo vista grossa a todos os outros dados que podem explicar o fenómeno: a população está envelhecida, há fatores genéticos partilhados (as famílias tendem a viver juntas), os hábitos alimentares são comuns e, afinal de contas, o cancro atingirá 1 em cada 3 pessoas ao longo da vida, pelo que muitos dos aglomerados de cancro são fruto do mero acaso. Por outro lado, estaremos a ignorar os milhares de pessoas das mesmas regiões, que partilham fatores genéticos e ambientais, e nunca desenvolvem a doença.

Esta forma de "provar" as associações serve para demonstrar aquilo que quisermos e que melhor corresponda à crença que queiramos confirmar. É muito útil para afastar a ansiedade que nos causa a aleatoriedade do mundo natural, mas a ordem assim criada assenta em falsas atribuições de causalidade. E é uma arma que os distribuidores das fake news usam de forma exímia para gerar medo.

Perdidos no ruído

Revendo o curso da História Humana encontramos sempre os que viajam na estrada do progresso e aqueles que, por receio, ignorância, crença ou teimosia, preferem ficar sentados na berma. Não duvido que a descoberta da produção e controlo do fogo tenha deixado muitos Homo erectus receosos. Talvez alguns se tenham recusado a aceitar a sua utilização.

A aceitação da inovação técnica com a dúvida de quem se envolve com poderes mágicos dos quais teme as consequências não foi, em si mesma, um impedimento ao progresso da Humanidade, uma vez que o engrossar do caudal desse rio de conhecimento conseguiu puxar das margens os mais reticentes em abandonar o paradigma empírico para aceitar o cientifico.

Ainda assim, os movimentos de antagonismo científico e técnico, por serem intrínsecos à natureza humana, são perpétuos e impossíveis de eliminar. Como mostro mais adiante os "anti-vaxxers" são tão antigos como as próprias vacinas e nem assim impediram a universalização de um dos maiores sucessos da História da Medicina.

A grande mudança nos tempos modernos resulta da inundação de informação - às custas dos suportes digitais - que subverte a
própria essência da informação: de um paradigma de aceitação do especializado -verificável -fiável para o da aceitação pelo valor facial dos conteúdos online. É a "validação pela Internet" a substituir a "validação pela proveniência especializada". Em ambos os casos, os argumentos de validação da informação são falaciosos, mas o segundo apenas na forma e não necessariamente no conteúdo, ao passo que o primeiro é muito mais vezes falso no conteúdo, embora verosímil na forma.

Simultaneamente, assiste -se à diluição da figura do perito, versado na investigação de uma área científica, numa massa de "pseudo-peritos" nascidos do universo online onde quem mais aparece, quem mais publica em fóruns e blogs e redes sociais tem a sua opinião sobrerrepresentada perante o público. É a validação pelo volume e atratividade da mensagem, não pela qualidade da informação que se transmite.

Isto explica como as fantasias de tantos movimentos pseudo-científicos conseguiram o peso na opinião pública que hoje têm, contra consensos que pareciam inabaláveis (e.g., o benefício das vacinas, as alterações climáticas, a esfericidade da Terra, ...).

O que pode esperar deste livro?


Há muito que tento acalmar os receios e esclarecer as dúvidas de muitos dos que andam perdidos neste mar de ruídos e que ouvem
com a mesma (ou até menor) clareza o sinal da ciência e o ruído dos pregadores do medo, da superstição, da conspiração e da
ignorância.
Dedico os próximos capítulos aos que têm dúvidas e tentam, como eu, limpar de pseudociência e crenças o conhecimento científico. Tento convocar a força da melhor evidência científica para desmontar algumas das narrativas mais populares da crença em saúde. Nesses capítulos visitaremos algumas áreas da saúde em que a pseudociência se tem imposto graças à avalanche turbulenta da informação online.

Aos tantos que, como eu, vivem no paradigma de pensamento científico e lutam contra os seus próprios enviesamentos, no sentido de refutar o que conhecem em troca de explicações melhores e mais firmes, garanto que encontrarão, ao longo deste livro, muito alimento para a nossa amada dúvida sistemática.

Escrevo para os que querem ouvir a linguagem da Razão e da Ciência, não argumentarei com os que apenas entendem a linguagem da fé. Para a mente científica, a fé não representa qualquer papel no entendimento do mundo natural. Para aqueles que apenas buscam confirmação para as suas convicções e estão impermeáveis à argumentação científica. Para quem tudo o que se escreva já só é valorizado se reforçar a crença original, este não é o livro certo.

Aqui não temos fake news.

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