Anabela Moreira: "O Luso-Brasileiro é o festival certo para O Último Banho"

Arranca amanhã o Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira. Até dia 4 o melhor cinema independente brasileiro e português está lado a lado numa edição marcada pela estreia nacional de O Último Banho, onde encontramos uma assombrosa Anabela Moreira.

Um festival adiado regressa após um ano de hiato. O Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira muda-se para o verão e continua a pedir o diálogo entre o cinema brasileiro e o português, este ano com menos convidados brasileiros por óbvias razões. A partir de amanhã a Biblioteca Municipal da Feira mostra curtas, longas e documentários dos dois países e abre com cinema português novinho em folha. O Último Banho, de David Bonneville, é o filme de abertura e está em concurso. Uma primeira obra de um cineasta narrativo e com primazia para dirigir atores, neste caso com destaque para as gémeas Moreira, Anabela e Margarida. O filme, que chega aos cinemas no próximo dia 1, é a história de uma freira que regressa a casa para cuidar de um sobrinho adolescente negligenciado pela irmã. Um relato de uma atração física com laivos incestuosos mas que pode encerrar um mistério íntimo. Anabela Moreira é a tia religiosa, ela que será uma das presenças mais esperadas na sessão de abertura de amanhã. Uma interpretação em "tour-de-force" de uma das atrizes mais recorrentes do cinema português, ela que conta ao DN o seu agrado pela seleção do filme no festival: "O Luso-Brasileiro é o festival certo para este filme. Gosto mesmo deste festival, já fui jurada na Feira e é um dos festivais que acredita em filmes que não sejam pensados para o grande público. É uma daquelas janelas que deixa respirar projetos de artistas e há também um ambiente muito saudável".

Será que O Último Banho pode causar alguma celeuma por conter nudez com um menor e um relato de uma suposta atração sexual de uma freira? Anabela Moreira lembra que no Festival de Tóquio o filme não derramou o perfume de escândalo, mas que em Portugal poderá ser diferente: "Somos um país mais fechado e este tema pode causar algum repúdio, algum sentimento de escândalo...".

"O filme aborda um tabu muito grande: a sexualidade e a libido entre familiares. E a verdade é que a História está cheia destes acontecimentos", continua a atriz.

Para além de O Último Banho, há mais uma longa nacional a competir na Feira, Amor Infinito, de Carlos Amaral, produção "low-budget" da Bando à Parte de Rodrigo Areias, com Maria Leite e Nuno Nolasco, uma história sobre um apocalipse português. Na apresentação em 2019 na Comic Com Portugal foi um dos filmes que causou melhor impressão.

Nesta 23.ª edição espera-se também muito do novo cinema brasileiro. Filmes como Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes ou King Kong em Asunción, de Camilo Cavalcanti, podem ser dos bilhetes mais quentes do festival. Marcelo Gomes, por se encontrar na Europa, vai estar na Feira a apresentar este documentário tão bem recebido na Berlinale de 2019.

Como sempre, é na conversa que está o ganho neste certame e o convidado para o debate anual é o cineasta João Nicolau, um dos "enfant terribles" do cinema português. Será sábado às 19h30. Enquanto isso, na secção Sangue Novo, destinada a apostar em nomes emergentes, Leonor Noivo é a escolhida, domingo pelas 16:30. Antes, dia 1, espaço para uma sessão especial, Gilberto Gil Antologia Vol. 1, de Lula Buarque da Hollanda, documentário musical sobre o mestre da MPB.

O segredo deste pequeno festival não são as passadeiras vermelhas nem os desfiles de egos de outros festivais. Este é um espaço em que a tertúlia é o combustível de uma semana que transforma Santa Maria da Feira em cidade tropical. Este ano com distância social mas com o mesmo espírito "rock n"roll"...

dnot@dn.pt

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