'Aline - A Voz do Amor'. Mesmo para quem não é fã de Céline Dion

Desconcertante este filme sobre a vida de Céline Dion. Aline - A Voz do Amor é uma comédia provocadora que enfureceu a família da diva mas que já vai em 1 milhão de bilhetes vendidos em França. Novo triunfo da realizadora e atriz Valérie Lemercier que veio a Lisboa apresentar este objeto.

Filmar todas as idades de "La Dion", ou seja, Céline Dion. A tarefa foi feita com amor, humor e escárnio. Uma biografia não autorizada e com a desculpa de ser "inspirado em". Quem esperava o biopic certinho e em jeito da celebração, pode tirar o cavalinho da chuva. A comediante Valérie Lemercier filma sobretudo o nascimento, a manutenção e o fardo de um fenómeno e interessa-se pela unidade familiar de uma mulher conservada numa redoma de fama e privilégio.

Entre a comédia e o drama de ascensão, Aline - sim, a cantora retratada canta as canções de Dion mas aqui chama-se Aline - é uma diversão bizarra e com um humor "torcido", a começar pela primeira provação: é sempre Lemercier a fazer toda a vida de Dion, de menina (através de efeitos visuais) até aos atuais dias de Las Vegas.

O percurso começa quando a numerosa família da cantora de origens humildes percebe que a criança tem um dom único, quando canta... encanta. Daí até ser lavada até ao mais famoso agente do Quebec vai um pulo. Depois, temos a entrada na alta roda do showbizz internacional, sem esquecer o que todos querem saber de Céline: como lidou com a fama, o romance com o agente décadas mais velho e a forma como sobreviveu a uma escravidão de horários e agenda sobrecarregada.

Fantasia de cinema e artifício entre o burlesco e o escárnio, Aline não teve os aplausos da família de Dion, embora em Cannes tenha sido estrondosamente aclamado na sessão de gala e batido todos os recordes de aplausos quando passou recentemente no cinema São Jorge na Festa do Cinema Francês. O conto de fadas de Valérie Lemercier não deixa ninguém indiferente no seu kitsch assumido e nessa bizarria que contém uma bondade que espanta. Por muito que brinque com sotaques, nota-se que Lemercier está a homenagear também a cultura québéquoise e às duas por três estamos presos na odisseia desta Céline Dion inventada e é certo e garantido que não é preciso ser fã do ícone canadiano para aderir, sobretudo porque o filme é movido através de canções dos Communards, Glenn Medeiros, Rufus Wainwright e Elvis...

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