Academia de Hollywood tem 819 novos membros: um é português

Academia aposta na diversidade convidando mais mulheres e artistas não-brancos. O produtor português Luís Urbano integra a lista de novos membros que vão poder votar na próxima edição dos Óscares, em abril de 2021.

A atriz mexicana Yalitza Aparicio, a revelação de Roma, Awkwafina, vencedora do Globo de Ouro com A Despedida, e a cubana Ana de Armas, futura 'Bond girl', estão entre as figuras de Hollywood convidadas a ingressar na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas este ano.

A Academia anunciou na terça-feira que convidou 819 novos membros incluindo a cantora e atriz Cynthia Erivo, John David Washington (o ator de BlacKkKlansman) , Constance Wu (atriz de Ousadas e Golpistas), Eva Longoria, famosa pela série Donas de Casa Desesperadas, mas também pela sua luta pela representação latina na indústria do entretenimento, e Cynthia Erivo, a única nomeada não branca na última edição dos prémios por Harriet. Dos novos membros convidados, 36% são de cor e 45% são mulheres. Os que aceitarem entrar para a Academia poderão votar na próxima edição dos Óscares.

A lista de convidados de 2020 surge após insistentes pedidos para que os Óscares do cinema reflitam a diversidade de Hollywood. No início deste mês, a Academia anunciou que a categoria de Melhor Filme iria ter sempre 10 nomeados, na esperança de que filmes mais diversos tenham possibilidade de ser nomeados.

A Academia tem atualmente mais de 8 000 membros, dos quais 2 mil entraram nos últimos três anos. Embora ainda seja um órgão predominantemente branco e masculino, um estudo de 2018 concluiu que os novos membros têm vindo a aumentar a diversidade - as pessoas de cor representavam 16% dos membros em 2018, contra 8% em 2015.

Depois de em 2015 ter sido criada a hashtag #oscarssowhite num protesto contra a inexistência de artistas não-brancos nomeados nas principais categorias, as mudanças parecem começar a ter consequências. Este ano, Parasitas do sul-coreano Bong Joon-ho, tornou-se o primeiro filme não falado em inglês a ganhar na categoria Melhor Filme, enquanto Moonlight, um filme focado na experiência homossexual negra, conquistou o Óscar de Melhor Filme em 2017 e foi aclamado pelos críticos. Mas nem todas as vitórias recentes foram vistas como progressivas: o vencedor do Óscar melhor filme de 2019, The Green Book, foi acusado por alguns de ser "racialmente surdo".

A lista de novos membros de 2020 inclui um grupo diversificado de artistas de todos os setores da indústria, da representação à publicidade e figurinos. Os atores convidados incluem Ana De Armas, Brian Tyree Henry, Florence Pugh, Lakeith Stanfield, Beanie Feldstein. Realizadores como Lulu Wan, Ari Aster, Terence Davies e Matthew Vaughn também estão na lista.

Alguns atores de Parasitas, incluindo Jang Hye-Jin, Jo Yeo-Jeong, Park So-Dam e Lee Jung-Eun, também foram convidados a participar. A Academia afirma que 49% dos novos convidados são internacionais e representam cerca de 68 países. Entre eles está o português Luís Urbano, da produtora O Som e a Fúria, produtor de Cartas de Guerra e Tabu - que assim se junta aos outros portugueses na Academia: os realizadores Abi Feijó, Regina Pessoa e Pedro Costa, convidado, e Carlos de Mattos - galardoado com dois Óscares, em 1982 e 1985, por Avanços Técnicos para o cinema.

O presidente da Academia, David Rubin, disse que a organização está "encantada por receber esses ilustres companheiros de viagem nas artes e nas ciências cinematográficas".

A academia também anunciou um novo plano de cinco anos para a implementação de padrões de inclusão em, todas as atividades da Academia. "Esperamos continuar a promover uma Academia que reflita o mundo à nossa volta, nos nossos membros, nos programas, no novo Museu e nos nossos prémios", disse o CEO da academia, Dawn Hudson, num comunicado.

"Estou muito animado por ser um novo membro da Academia com tantas mentes brilhantes", escreveu Lulu Wang, realizadora de A Despedida, no Twitter. "Embora ainda haja muito trabalho a ser feito, esta turma parece-se mais do que nunca com um júri de pares, portanto este é um passo na direção certa. Em frente!

A 93ª edição dos Óscares está marcada para 25 de abril de 2021, dois meses depois do habitual devido aos efeitos da pandemia de covid-19 na indústria cinematográfica.

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