Exclusivo A Viagem de Chihiro: Os 20 anos da joia da coroa da animação japonesa  

Já passaram duas décadas sobre a estreia da mais icónica animação do Studio Ghibli. Rever hoje A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki, é reencontrar temas universais e um imaginário estonteante, com uma consciência repleta de atualidade.

Perante as imagens recentes das cheias atípicas na Alemanha e na Bélgica, que os ambientalistas já relacionaram com as alterações climáticas, ocorre-nos aquela cena de A Viagem de Chihiro em que um "espírito fedorento" (basicamente, um monstro coberto de lama copiosa) entra numa casa de banhos termais e, com a ajuda da protagonista, mergulhada na água suja, revela a identidade de um tal "Deus do Rio", depois de ser libertado de uma enorme quantidade de detritos aleatórios - tal como os objetos que há dias se viram arrastados na corrente acastanhada. Uma cena que de resto Hayao Miyazaki foi buscar às suas próprias memórias, quando em jovem ajudou na limpeza de um rio local, que acabou por recuperar a sua vida selvagem... Estreado no Japão a 20 de julho de 2001, A Viagem de Chihiro continua de olhos postos no mundo em que vivemos, através da fantasia mais negra, mas também mais luminosa.

Desde Nausicaä do Vale do Vento (1984), a obra de Miyazaki está repleta de uma nostalgia pelo mundo natural e uma evidente preocupação com as questões ambientais. O que é que a aventura de uma menina de dez anos chamada Chihiro acrescentou a esse universo? Talvez um grau superior de imaginação. O realizador convocou os espíritos da antiga cultura japonesa, os seus elementos tradicionais, e criou um reino de detalhes visuais e personagens inesquecíveis prontas a levar o espectador numa jornada sobrenatural. "As crianças, rodeadas de produtos superficiais de alta tecnologia, perdem cada vez mais as suas raízes. Temos uma tradição muito abundante, uma tradição que temos o dever de lhes transmitir", lê-se na mensagem de Miyazaki sobre o filme, no site oficial. E acrescenta: "Acho que os homens que não têm história e as pessoas que esqueceram o seu passado desaparecerão como efémeras, ou serão transformadas em galinhas que põem ovos enquanto esperam para ser a refeição de alguém. Acho que fiz este filme com o verdadeiro desejo de chegar a um público de meninas de dez anos." Porém, A Viagem de Chihiro conquistou espectadores de todas as idades.

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