Exclusivo A Disney e o fantasma dos clássicos "ofensivos"

Recentemente, o serviço de streaming Disney+ vedou o acesso de crianças com menos de 7 anos a alguns dos clássicos de animação dos estúdios do Rato Mickey. Mais uma medida a reforçar o policiamento moral à volta de um património.

A cena de um grupo de corvos que, alegadamente, fazem lembrar os espetáculos de menestréis onde artistas brancos com rostos pintados de negro imitavam e ridicularizavam os escravos africanos das plantações do Sul. Eis o elemento ofensivo que se aponta à animação Dumbo (1941), com um dos corvos a chamar-se Jim - tal como Jim Crow (corvo em inglês), o nome das leis que permitiam a segregação racial nos Estados Unidos. Já em A Dama e o Vagabundo (1955) há gatos siameses que falam com um sotaque asiático estereotipado, e outro em Os Aristogatos (1970) que toca piano com pauzinhos. Por sua vez, As Aventuras de Peter Pan (1953) mostra nativos americanos a serem chamados de redskins (peles vermelhas), um termo pejorativo para designar os índios.

Estes são alguns dos filmes do nosso imaginário cultural que deixaram de estar disponíveis para usuários do Disney+ que façam uma pesquisa com o perfil de "crianças" (que indica a idade inferior a 7 anos). Assim se coloca a cereja em cima do bolo das medidas que foram tomadas desde o princípio, e que se intensificaram ao sabor da polémica com E Tudo o Vento Levou, retirado durante umas semanas do catálogo da HBO por, mais uma vez alegadamente, promover a nostalgia pela escravidão.

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