Exclusivo A Berlinale embriagou-se com o soju de Hong Sang-Soo

Na competição, a habitual fiabilidade do cinema de Hong Sang-Soo, desta feita com Introduction. Nas secções paralelas, Berlim digital mostrou também um retrato do Unabomber e uma boa surpresa vinda da Suíça.

É na diversidade que está o ganho. Na Berlinale edição 71, a aposta em filmes livres, não formatados e intrigantes parece marcar a tendência. Uma seleção da equipa de Carlo Chastrian que defende com unhas e dentes um cinema de pesquisa e qualidade, mesmo quando leva a concurso pela quinta vez um nome como Hong Sang-Soo, figura maior do cinema coreano contemporâneo. Desta vez, o Rohmer de Seul apresenta Introduction, pequeno filme de uma hora e pouco dividido em três partes e parcialmente rodado em Berlim.

Este conto de encontros e desencontros narra as desventuras sentimentais de um jovem quando visita o pai, a namorada e a mãe. Como habitualmente, o cineasta vê-se livre de linhas narrativas mas não abdica de plot twists e da sua força motriz: diálogos com reflexões diretas ao meio artístico coreano - mais uma vez, uma das personagens é artista, um ator de teatro supostamente reverenciado mas demasiado amigo de soju, bebida alcoólica indispensável muitas vezes nas cenas de diálogos em bares e cafés na obra de Sang-Soo... Aliás, por todo o filme, mesmo na sobriedade das cenas de Berlim, percorre um certo efeito de embriaguez, como se o amor e a falta dele tolhessem sem apelo as personagens. De um lado, um filho algo abandonado e refém das expectativas dos pais, do outro uma jovem que ao emigrar para a Alemanha se arrisca a abdicar da sua felicidade amorosa.

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