A Berlinale apanhou o táxi de Susana Nobre

Os primeiros anúncios oficiais do Festival de Berlim trazem boas novas para o cinema português. Susana Nobre e a sua espécie de road movie, No Táxi do Jack, estão no Fórum, enquanto Diogo Costa Amarante luta pelo Urso de Ouro das curtas com Luz de Presença, mas há ainda outros títulos nacionais.

Para uma Berlinale especial de apenas cinco dias, Portugal parece estar em alta, pelo menos a avaliar com a seleção de curtas e uma longa-metragem nas secções paralelas. Enquanto ainda não se anuncia a competição oficial do certame que arranca na net dia 1, foram anunciados esta terça-feira os títulos do Fórum, Fórum Expanded e os candidatos ao Urso de Ouro das curtas-metragens. Cineastas como Ana Vaz, Walket Bungué, Diogo Costa Amarante e Susana Nobre viram os seus filmes escolhidos.

Destaque para a presença de Susana Nobre com No Táxi do Jack, depois o sucesso do emotivo Tempo Comum, mais um objeto algures entre o real e a ficção, neste caso focando o dia-a-dia de Jack, um senhor de 63 anos quase reformado e em busca de carimbos de várias empresas para provar que está à procura de emprego e, assim, receber o seu subsídio. Uma história com histórias deste homem que era emigrante nos EUA, país no qual era taxista em Nova Iorque.

Segundo a realizadora, trata-se de um "filme-de-estrada" fechado: "em vez de nos levar a diversas paragens, traça-se um movimento concêntrico em redor da própria história de Jack". Trata-se de mais um filme brotado das experiências de Nobre como trabalhadora do programa de Nova Oportunidades do anterior governo socialista.

Na competição oficial das curtas, presença mais uma vez de Diogo Costa Amarante, cineasta já consagrado com o Urso de Ouro dessa mesma secção. Enquanto esperamos pela primeira longa, Diogo fez agora mais uma curta. Chama-se Luz de Presença e é uma história de um homem de coração quebrado que graças a um acidente conhece uma nova mulher. "A apresentação do filme na Berlinale deixou toda a equipa muito feliz por ver o seu trabalho reconhecido. Pessoalmente, congratulo-me por voltar a um festival que sempre acolheu muito bem o meu trabalho. Fica a expectativa de que o festival possa acontecer no verão para que este novo filme chegue, nas melhores condições, ao público fiel e generoso que a secção de curtas da Berlinale conquistou ao longo dos seus 71 anos de existência", palavras do realizador nortenho que atesta o desejo de muitos para a hipótese programada de haver público numa segunda fase do festival, entre 9 e 20 de junho.

No Forum Extended, destinado a objetos audiovisuais mais experimentais, Portugal tem dois objetos: 13 ways of looking at a blackbird, de Ana Vaz e Mudança, de Welket Bungué, bem como uma co-produção com a Áustria, Day of Night, de Emily Wardill.

Mais uma vez, o cinema português marca presença substancial num grande festival internacional, logo a seguir ao jackpot de Listen, em Veneza 2020...

Para a seleção oficial, não seria de espantar se Pathos, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel estivesse selecionado. No que toca a cinema com nomes mais consagrados, muitos não acreditam que neste contexto do "online" a Berlinale possa atrair grandes nomes, embora não seja de subestimar a hipótese de Paul Schrader (The Card Counter ) e Coda, de Sian Heder (o vencedor de Sundance) marcarem presença, nem que seja fora de competição.

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