25 mil foram ver o premiado 'Listen' e é o filme português mais visto do ano

Contra todas as previsões, Listen não para de fazer de espetadores e já é o filme português mais visto do ano. Também O Ano da Morte de Ricardo Reis e A Ordem Moral surpreenderam, mostrando que a qualidade nacional é imune ao vírus.

Há um êxito de público a contrastar a debandada da salas em pleno pico da pandemia. Chama-se Listen, de Ana Rocha de Sousa, que esta semana já se transformou no filme português com mais bilhetes vendidos em 2020.

Este drama realista sobre as adoções forçadas em Inglaterra é um autêntico fenómeno, tendo ultrapassado agora O Filme de Bruno Aleixo, de Pedro Santo e João Moreira, com mais de 25 mil espetadores. Não deixa de ser espantoso um filme português estar com esta "performance" nesta altura, sobretudo se pensarmos que há menos salas abertas e um número menor de sessões.


Listen estará a beneficiar do efeito dos seis prémios no Festival de Veneza e da publicidade de estar nomeado para poder ser o candidato português aos Óscares, mesmo quando ainda não se sabe se poderá de facto entrar na corrida devido à percentagem do inglês falado nesta história. É fácil poder concluir-se que em tempos normais o filme de estreia de Ana Rocha de Sousa poderia fazer números compatíveis com os maiores sucessos de Hollywood. Tão mais espantoso é que os números de outros filmes portugueses estreados anteriormente serem igualmente bem dignos.

Por exemplo, Ordem Moral, de Mário Barroso, o primeiro filme da rentrée, fez 10 400 espetadores, bastante mais do que filmes americanos de grande orçamento. Também João Botelho e o seu O Ano da Morte de Ricardo Reis, levou cerca de 11 mil pessoas aos cinemas.

Ambos os filmes poderiam ter chegado a marcas próximas de um sucesso como A Herdade, de Tiago Guedes, estreado precisamente há um ano, caso não estivéssemos nesta crise pandémica. Isto serve para concluir que mesmo neste atual estado de coisas encontrou-se um público bastante interessado no cinema português. Ainda assim, Bem Bom, de Patrícia Sequeira, o próximo filme de grande ambição comercial a estrear, viu esta semana a sua distribuidora a adiar o seu lançamento para 2021.


Nesta altura, a aposta no cinema nacional vai abrandar. Resta esta semana a experiência de Sol Posto, de Ricardo Oliveira, filme-concerto dos Capitão Fausto que apenas é exibido na sessão das 18.00 de dia 14 em 70 cinemas de norte a sul, e Amor Fati, documentário de Cláudia Varejão.


Os muitos esperados A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos; Amadeo, de Vicente Alves do Ó, Campo de Sangue, de João Mário Grilo, Salgueiro Maia- O Implicado, de Sérgio Graciano e Sombra, de Bruno Gascón, foram todos adiados, consequência da quebra das receitas em mais de 70%. A FEVIP, a associação dos exibidores, por voz do seu representante, Paulo Santos, já veio avisar que cerca de metade das salas portugueses correm risco de encerramento...

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